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Consecitrus em debate na TV Estadão

Estadão

15 de dezembro de 2010 | 11h35

De um lado, produtores de laranja desconfiados e escaldados por anos de falta de diálogo e transparência por parte da indústria do suco. De outro, a indústria com tom conciliador e tentando estimular os citricultores a sentar na mesa de negociações para debater não só preços da caixa de laranja, mas os rumos da cadeia citrícola brasileira, a maior do mundo.

E, no meio disso, um secretário de Agricultura atuando como mediador, tentando eliminar desconfianças e entabular por fim um diálogo produtivo, que resulte, finalmente, na criação do Consecitrus – um conselho que reuniria toda a cadeia produtiva para definir sobretudo remuneração justa para todos os produtores, sem distinção do tamanho de seus pomares. A formação do Consecitrus fecharia com chave de ouro a gestão do secretário, prestes a deixar o cargo por causa da mudança de governo, no início do ano que vem.

Este foi o clima da série de entrevistas que vão ao ar hoje, na TV Estadão, promovidas pelo Agrícola para debater o Consecitrus. Participaram das entrevistas o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Sampaio; o diretor do Departamento de Citricultura da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gastão Crocco; o presidente da CitrusBR (entidade que reúne as quatro indústrias do suco de laranja), Christian Lohbauer; o presidente da Associtrus (entidade que reúne os citricultores), Flávio Viegas; o diretor-corporativo da Cutrale (a maior empresa de suco de laranja do mundo), Carlos Viacava, e o presidente do Sindicato Rural de Bebedouro (uma das principais regiões citrícolas do Estado), José Osvaldo Junqueira Franco.

Um protocolo de intenções chegou a ser assinado no dia 25 de outubro, em São Paulo (SP), por todas as partes. Mas as entrevistas revelaram que o que não há ainda é consenso. “Nem deveria haver o Consecitrus”, diz o produtor Junqueira Franco. “Se houvesse disposição da indústria para negociar, faria isso sem Consecitrus. A questão é que, agora que a caixa de laranja está com preço bom e deve permanecer assim por um bom tempo, a indústria vem com essa história de Consecitrus, para estabelecer um teto para o produtor. A ideia inicial do Consecitrus era principalmente chegar a um preço mínimo consensual da caixa de laranja, que garantisse remuneração para o citricultor”, diz Junqueira Franco. “Só que o teto que a indústria quer propor é menor do que o mínimo que imaginamos.”

Para o representante da Associtrus, Flávio Viegas, a assinatura do protocolo de intenções não significa que os produtores abrigados na entidade concordem com a atual proposta da indústria. “Não é o ideal as negociações dentro do Consecitrus partirem a partir do preço designado pela indústria”, diz Viegas. “Isso dá um poder imenso da indústria sobre toda a cadeia produtiva”, continua Viegas, acrescentando que a formação de preço da caixa no Brasil deveria ter sua origem no preço de venda do suco de laranja nos mercados consumidores lá fora. “Isso é impossível de fazer. Se alguém tiver uma fórmula para isso, que me apresente, para negociarmos”, rebate o representante da indústria, Christian Lohbauer.

Lohbauer defende-se: “Não existe essa história de teto, e muito menos a proposta da indústria sobre o Consecitrus. Nossa proposta é sentarmos à mesa para, juntos, formalizarmos o que será o Consecitrus.”

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