Desafio da pecuária é recuperar pasto degradado

Estadão

26 de outubro de 2011 | 14h26

Fazenda Brasil, em Barra do Garças (MT), faz adubação de pasto. CRÉDITO: LEONARDO SOARES/AE

Hoje, estima-se que, de 180 milhões de hectares de pasto no País, de 70% a 80% apresentam algum nível de degradação. Em Mato Grosso, segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), de 26 milhões de hectares de pasto, 8 milhões têm algum tipo de degradação. Para o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, o pecuarista tem disponível um pacote tecnológico. “A melhor ferramenta ele escolhe de acordo com as necessidades e aptidões”, afirma.

No ano passado, uma seca que se prolongou de abril até outubro no Estado fez os produtores a adotarem, este ano, o semiconfinamento. “Morreram 2,5 milhões de hectares de pasto. Este ano, o semiconfinamento foi a ferramenta usada para driblar outro eventual contratempo. Mas isso só foi possível porque, do fim de 2010 para cá, a renda do produtor melhorou”, diz Vacari. Segundo ele, a seca que atingiu o Estado no ano passado serviu de alerta. “Vimos que é preciso dar mais atenção ao pasto. Reformar ou recuperar áreas degradadas é, hoje, nosso maior desafio. Não adubar pasto é um erro, especialmente para Mato Grosso, cujo diferencial é o boi a pasto.”

A taxa de lotação das pastagens brasileiras (quantidade de animais por área) é de menos de 1 animal/hectare/ano, com produtividades de carne de 50 quilos/hectare/ano. Com a intensificação, como o uso de espécies forrageiras mais produtivas (braquiarão, capim tanzânia ou mombaça, por exemplo), divisão e manejo das pastagens, oferta de alimento na seca e correção e adubação do solo, é possível elavar a lotação para 6 a 12 animais/hectare/ano por cerca de 200 dias no ano sem uso de irrigação. A produtividade de carne pode saltar para 900 quilos/hectare/ano, segundo o engenheiro agrônomo Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste.

“A intensificação pode tornar a atividade pecuária mais rentável e, portanto, permitir que o produtor seja mais competitivo frente a outras formas de ocupação, como o arrendamento para cana-de-açúcar. Além das vantagens ambientais, como redução da erosão e de emissão de gás metano, já que estudos mostram que animais alimentados com forragem de melhor qualidade emitem menos metano.”

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