Os números da citricultura

Estadão

20 de outubro de 2010 | 20h39

Laranja sendo processada na fábrica da Cutrale, a maior esmagadora de citros do mundo FOTO DE JOSÉ ÂNGELO SANTILI/AE

Mais um dia de reunião do setor citrícola nacional, desta vez em grande estilo, com no mínimo 400 pessoas de toda a cadeia produtiva, em evento para lançamento do estudo coordenado pelo professor Marcos Fava Neves, da USP, denominado “O retrato da citricultura brasileira”. Entre os dados, um número mais fiel do parque citrícola nacional, com 165 milhões de árvores produzindo e, na Flórida, 60 milhões de árvores. Além disso, a maior tecnificação do setor, com pomares mais adensados, é notória. Segundo o estudo, apresentado em evento promovido pelo jornal Valor Econômico, a densidade de árvores por hectares aumentou de 250 árvores por hectare em 1980 para 357 árvores por hectare em 1990; 476 árvores por hectare em 2000 e hoje 850 árvores por hectare, sendo que atualmente 130 mil hectares são irrigados pelo sistema de gotejamento.

Mais números dão conta da importância do suco de laranja brasileiro para o mundo: o que mais resume isso é que a cada 5 copos de laranja consumidos no mundo, três são produzidos nas fábricas brasileiras. Além disso, o Brasil detém 50% da produção mundial de suco de laranja, e exporta 98% do que produz, obtendo nada menos do que 85% de participação no mercado mundial.

Um fator de desestabilização do setor, sobretudo para os produtores ao longo dos anos, obrigando muitos a desistirem da atividade, é a forte oscilação de preços internacionais, relatada no estudo do prof. Fava Neves. Segundo ele, chegam a oscilar entre US$ 700 e US$ 2 mil em pouco espaço de tempo.

Mais números: em 2009, as exportações do complexo citros foram de 2,9 milhões de toneladas, sendo 1,129 milhão de t de suco concentrado; 939 mil toneladas de suco não-concentrado e 851 toneladas de subprodutos.

Segundo o presidente do Conselho da Cutrale, José Luiz Cutrale, em entrevista exclusiva ao Estado, mesmo que nos Estados Unidos – o maior consumidor de suco de laranja do mundo, com 38% do total – tenha havido grande queda de consumo, de 11,5%  em 5 anos, e de 24% em dez anos, segundo o estudo do prof. Fava Neves, os grandes mercados que se abrem atualmente para a citricultura mundial são obviamente a China, além do norte da África, das Filipinas e Tailândia, que estão consumindo o polpy juice, cuja composição é metade suco de laranja, metade água, adicionado com uma pequena quantidade de “polpa” de laranja, ou seja, com aqueles “baguinhos” da laranja. “É um suco mais barato, que abre um grande mercado nesses países”, diz Cutrale, acrescentando que a busca de novos mercados para a citricultura passa também pela modernização do setor. “Todos os pontos ressaltados no estudo do prof. Fava Neves, como adensamento, irrigação e viveiros telados denunciam essa modernização”, diz Cutrale, que representa a maior esmagadora de suco de laranja do mundo. E acrescenta que, cada vez mais, a indústria terá de se adaptar ao tipo de suco que cada mercado quer. “O polpy juice é um deles”, conclui.

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