Palha de cana em fardos

Estadão

28 de outubro de 2010 | 17h46

Palha enfardada: Perticarrari, do CTC, exibe os fardos de palha de cana. FOTO DE TÂNIA RABELLO/AE

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), com sede em Piracicaba (SP) e mantido por cerca de 160 associados do setor, está desenvolvendo, juntamente com New Holland, maquinário para permitir o enfardamento da palha de cana que fica depositada no campo após a colheita da cana crua. Atualmente, esses fardos de 500 quilos podem ser usados juntamente com o bagaço de cana para gerar energia nas usinas de açúcar e álcool. Mas o grande objetivo futuro de dominar tecnologia eficiente para o recolhimento da palhada é o aproveitamento desses fardos na produção de etanol celulósico ou o álcool de segunda geração. Atualmente, o etanol é obtido a partir da sacarose contida na cana-de-açúcar. Vários países do mundo, porém, incluindo o Brasil, têm pesquisado com afinco uma  tecnologia economicamente viável para produzir o etanol a partir da celulose contida no bagaço e na palha de cana, o que multiplicaria grandemente a produção de álcool combustível no Planeta e liberaria, por exemplo, cereais comestíveis, como o milho (base do etanol fabricado nos Estados Unidos), dessa atribuição. Outra vantagem é a ambiental, com a produção em grande escala de um combustível limpo e não-fóssil.

Segundo o coordenador de Pesquisa Tecnológica em Engenharia Agrícola do CTC, José Guilherme Perticarrari, 1 tonelada de palha pode gerar o equivalente a 2,5 megawatts de energia. A tecnologia em estudo pelo CTC e pela New Holland permite fazer fardos de 500 quilos.

Com tal tecnologia, a palhada, garante Perticarrari, tão importante para manter o solo coberto após a colheita, ajudando a prevenir a erosão, o surgimento de plantas daninhas e a manter a umidade do solo, além de representar mais um ingrediente na adubação do canavial e na fixação de carbono no solo, não seria retirada totalmente do campo. “Cada hectare de cana produz de 15 a 20 toneladas de palha; vamos recolher de 8 a 10 toneladas”, prevê Perticarrari.

No mesmo projeto, além dos maquinários em desenvolvimento (aleirador, enfardadora de fardos retangulares e carreta de fardos), o CTC é parceiro também em projetos de instalações industriais para recepção e processamento dos fardos nas usinas, além de elaborar estudos da viabilidade econômica, técnica e ambiental do enfardamento.

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