Plano de Safra 2011/2012 terá R$ 107,2 bilhões

Estadão

17 de junho de 2011 | 17h35

Por Gustavo Porto, Equipe AE e Mapa

O Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012 terá R$ 107,2 bilhões para financiamento de custeio e investimentos, além de linhas especiais de crédito para a agricultura empresarial. O volume de recursos é 7,2% maior que os R$ 100 bilhões destinados no ano-safra 2010/2011 e deve atender a uma produção de 170 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas, alta de 5% sobre os 161,5 milhões de toneladas previstas para a safra atual. O governo confirmou que irá manter R$ 16 bilhões de recursos para a agricultura familiar, o que eleva o total de recursos para R$ 123,2 bilhões. Do total para a agricultura empresarial, R$ 80,2 bilhões irão para o custeio e comercialização da safra, alta de 6,08% ante os R$ 75,6 bilhões de 2010/2011. Do total para custeio e comercialização, R$ 64,1 bilhões terão juros controlados e R$ 16,1 bilhões juros livres.

Já os recursos para investimentos da agricultura empresarial somarão R$ 20,5 bilhões, alta de 13,9% ante os R$ 18 bilhões da safra passada. As linhas especiais saltarão 1,56% entre os períodos, de R$ 6,4 bilhões para R$ 6,5 bilhões. “São recursos que não são linha rural, mas que o governo consegue viabilizar a juros de 6,75% ao ano, como Programa de Sustentação de Investimentos”, disse Wilson Araújo, coordenador-geral de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura.

Ainda de acordo com ele, do total de R$ 100 bilhões do orçamento de 2010/2011, entre R$ 92 bilhões e 96 bilhões estarão efetivados no ano-safra. O plano para o ano-safra 2011/12, que começa em 1.º de julho, foi apresentado oficialmente hoje, em Ribeirão Preto (SP), em um evento com a presidente Dilma Rousseff, do vice-presidente Michel Temer, do ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Entre as novidades do plano estão linhas de financiamento específicas para pecuária que permitirão a compra de matrizes e reprodutores e recursos para renovação e expansão de canaviais.  Os criadores poderão contratar até R$ 750 mil para investimentos em compra de reprodutores e matrizes de bovinos e búfalos. Na temporada 2011/2012, o pecuarista também terá um limite de custeio 136% maior que o fixado no plano anterior. O valor passará para R$ 650 mil incluindo pecuária de corte, leiteira, ovinocaprinocultura, apicultura e suinocultura. No ano passado, o limite era de R$ 275 mil.

Os criadores poderão contratar até R$ 750 mil para investimentos em compra de reprodutores e matrizes de bovinos e búfalos. Na temporada 2011/2012, o pecuarista também terá um limite de custeio 136% maior que o fixado no plano anterior. O valor passará para R$ 650 mil incluindo pecuária de corte, leiteira, ovinocaprinocultura, apicultura e suinocultura. No ano passado, o limite era de R$ 275 mil.

A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) criticou hoje a redução do preço mínimo do feijão e a ausência do Fundo de Catástrofe no Plano de Safra 2011/12, divulgado hoje pela presidente da República, Dilma Rousseff, e pelo ministro de Agricultura, Wagner Rossi. Eles detalharam o plano em cerimônia realizada em Ribeirão Preto. O preço mínimo do feijão foi reduzido de R$ 80 para R$ 72 a saca de 60 quilos. “Com a diminuição dos preços, os produtores de feijão tornam-se muito mais vulneráveis ao mercado, que é muito instável”, afirmou por meio de nota Flávio Turra, gerente técnico da Ocepar.
 
Outra demanda, a criação do Fundo de Catástrofe também não foi atendida. “Esse fundo seria um instrumento vital à segurança da produção agrícola brasileira, a exemplo do suporte oferecido aos agricultores na Europa no atual ano, em que uma seca assola o continente”, afirmou Turra.
 
A entidade também voltou a criticar o volume de recursos anunciados, R$ 107,2 bilhões, considerado pequeno. O setor pedia pelo menos R$ 120 bilhões. “O valor não será suficiente para atender as demandas da agricultura em um ano que haverá expansão do agronegócio brasileiro, setor fundamental para equilibrar a balança comercial”, afirmou o gerente técnico da Ocepar.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, considera que a linha de crédito do Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, anunciado hoje, ainda é insuficiente para atender à demanda nacional. De acordo com o governo, o produtor brasileiro contará na próxima safra com recursos da de R$ 107,2 bilhões, 7,2% a mais do que no ciclo anterior.

“O limite ainda é pequeno, pois a cada ano os produtores mato-grossenses têm condições suficientes para aumentar a produção agrícola”, disse Silveira de acordo com nota da Aprosoja, referindo-se ao fato de os recursos oficiais não atenderem à maior parte dos produtores do Estado. “O importante é ter limites de créditos que atendam àqueles que renegociaram suas dívidas e não possuem acesso às linhas disponíveis”, completou.

Segundo projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), para a próxima safra, que se inicia em setembro, espera-se uma produção de 20,8 milhões de toneladas de soja, o que corresponde a um aumento de quase 11% em relação ao ano anterior.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, disse há pouco, em nota, que o limite de crédito por pessoa estabelecido no Plano Safra 2011/12 “não atende os produtores que realizam mais de uma safra por ano”. O agricultor terá R$ 650 mil. Dentro desse limite, incluem-se pecuária de corte, de leite, ovinocaprinocultura, apicultura, suinocultura e avicultura, inclusive as de sistemas de integração. Schreiner diz que a novidade limita produtores que cultivam mais de uma cultura,
inclusive pecuaristas. “Essa unificação prejudica o homem do campo. O produtor de algodão e milho, por exemplo, podia pegar financiamento nas duas culturas. Agora, ele fica limitado a escolher apenas uma ou a flexibilizar o limite nas culturas cultivadas”, disse. Ele destaca ainda que houve a redução do preço mínimo do feijão em 10%, saindo de R$ 80 a saca para R$ 72 a saca. Em 2010/11, quando o governo disponibilizou R$ 100 bilhões, R$ 76,5 bilhões foram utilizados pelo produtor. Em Goiás, produtores usaram R$ 2,79 bilhões, 3,43% do total utilizado no País, informou a Faeg. Deste total, R$ 294,49 milhões foram utilizados para
comercialização, R$ 2 bilhões para custeio R$ 328,02 milhões para investimento. O presidente da Faeg explica que o custo total da última safra para as culturas de soja, milho safra e safrinha e algodão foi de R$ 6.935 bilhões. Destes, foram financiados apenas R$ 1.464 bilhão, ou seja, 21,12%. “Todo o restante da safra foi custeada com recursos do próprio produtor”, disse Schreiner.

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