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Setor de defensivos apresenta desempenho de 2010

Estadão

16 de fevereiro de 2011 | 19h40

A indústria brasileira de defensivos agrícolas espera crescer  entre 5% e 10% ao fim de 2011, informou hoje, em São Paulo (SP), o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), Laercio Valentim Giampani. Isso se o atual cenário de mercado, com bons preços agrícolas, valorização das commodities e a perspectiva de aumento na área plantada em culturas como o algodão se mantiver.

Em 2010, porém, as vendas de defensivos tiveram queda de 3%, informaram os dirigentes do setor presentes na coletiva de imprensa, que reuniu, no Hotel Radisson, o diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher; o consultor da Andef, Cristiano Walter Simon; o vice-presidente do Conselho Diretor da Andef, Eduardo Leduc; o vice-presidente executivo do Sindag, José Roberto Da Ros e o presidente do Conselho Diretor da Andef, João Sereno Lammel, além do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Ilha Solteira, Geraldo Pappa.

A redução se deveu, segundo os números apurados pelo Sindag, por causa da valorização da moeda brasileira. Sendo assim, a movimentação financeira recuou R$ 12,436 bilhões, ante R$ 12,878 bilhões verificados em 2009. Já em moeda americana, a indústria obteve crescimento de 9% – o montante saltou de US$ 6,626 bilhões para US$ 7,240 bilhões. Ainda de acordo com o Sindag, a única categoria de produtos que registrou elevação de vendas em reais em 2010 foi a de fungicidas, com alta de 5%, sobretudo por causa da maior demanda pelo fungicida que controla a ferrugem da soja. Em valores, esta movimentação saltou de R$ 3,482 bilhões em 2009 para R$ 3,667 bilhões em 2010.

Em palestra apresentada durante a coletiva, o professor Geraldo Pappa, da Unesp de Ilha Solteira, destacou a importância do uso do Manejo Integrado de Pragas (MIP), além das práticas como Plantio Direto na Palha (PDP), Integração Lavoura-Pecuária e Rotação de Culturas como as responsáveis pelo fato de o Brasil ter aumentado, nos últimos 13 anos, em 125% sua produção agrícola com adição de apenas 24% de área. “Com o manejo integrado de pragas o produtor aplica o defensivo na hora certa, na dose certa e só se necessário”, explicou. “Isso garante o que o consumidor quer encontrar na gôndola do supermercado: um alimento saudável e seguro.”

O manejo integrado de pragas – bandeira levantada pela própria Andef, há alguns anos, como lembrou Simon -, assim como a transgenia (que desenvolve plantas resistentes a algumas pragas agrícolas) não vieram para retirar mercado dos defensivos, complementou Simon. Tanto é que recentemente o Brasil ganhou o título de campeão mundial no uso de agrotóxicos, como foi lembrado no evento. Ao contrário de ser um título pejorativo, os dirigentes fizeram questão de destacar que provavelmente o País vai se manter nesta posição, já que consegue colher em média 5 safras em apenas dois anos. “NoHemisfério Norte, por exemplo, isso não é possível. Agora o norte do Canadá e outras áreas agrícolas nos Estados Unidos estão debaixo de neve. Ou seja, não se está utilizando defensivos, enquanto aqui no Brasil estamos em plena colheita e já preparando o plantio da próxima safra, na mesma área. Então é natural que o Brasil utilize mais defensivos”, relatou Daher, da Andef. “Só que, se compararmos o uso com outros países, como o Japão, no Brasil há subutilização de defensivos, em relação à área plantada”, complementou Daher, acrescentando ainda: “E é bom que se diga que produtor nenhum compra defensivo porque ‘está em oferta’. Ele tem as contas todas na ponta do lápis e só compra se for realmente necessário”, finalizou.

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