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Tecnologia eleva produtividade da soja

Estadão

16 de fevereiro de 2011 | 08h30

Diante da alta do preço da soja e da expansão do cultivo, sobretudo no Cerrado, uma nova tecnologia promete elevar o rendimento da lavoura e, com isso, reduzir a pressão pela abertura de novas áreas de plantio. A tecnologia Intacta RR2 Pro, da Monsanto, foi apresentada em dia de campo realizado ontem, em Pirassununga (SP), em uma dos campos de pesquisa da empresa.

O grande diferencial da tecnologia é a proteção das plantas, por meio de uma proteína contida nas folhas da soja, contra as duas principais lagartas da cultura – a lagarta da soja e a falsa medideira. Além disso, a tecnologia confere à planta a já conhecida tolerância ao herbicida glifosato (tecnologia Roundup Ready, ou RR) e garante ganhos de produtividade. “A lagarta come a folha e morre”, diz o gerente de Biotecnologia da companhia, Marcelo Nishikawa.

Segundo Nishikawa, a lagarta da soja e a falsa medideira, consideradas pragas primárias na cultura, são responsáveis diretas por diminuição de produtividade e aumento do custo de produção. Os percevejos, outra praga primária da cultura, não são controlados pela tecnologia. “Em média, são feitas 5,8 aplicações de inseticidas na lavoura para o controle das lagartas e dos percevejos. Considerando só o controle das lagartas, a média é de 2,6 aplicações”, diz Nishikawa. “Com a introdução da tecnologia nas lavouras, deve haver uma redução no uso de inseticidas de pelo menos 50%.”

A tecnologia foi aprovada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) em agosto do ano passado e, agora, os técnicos estão coletando e analisando amostras de insetos em 28 áreas de pesquisa da empresa, distribuídas em vários Estados. Em Pirassununga, são quatro “plots”, de 15×20 metros cada um.

A pesquisa da tecnologia tem cerca de dez anos e recebeu investimento de US$ 100 milhões. “Trata-se de uma tecnologia brasileira, pensada para o agricultor brasileiro. Isso é inédito”, fala Nishikawa. A empresa ainda não divulgou os ganhos de produtividades do agricultor com a tecnologia. “Já fizemos mais de 70 ensaios de eficácia e mais de 300 ensaios de produtividade. Mas ainda faltam alguns testes para chegarmos a um número concreto”, afirma Nishikawa. Hoje, um produtor de soja super tecnificado consegue colher 60, até 70 sacas por hectare.

Mas para garantir a longevidade da tecnologia no campo, a recomendação é que o agricultor, ao adotá-la, mantenha uma área de “refúgio” na lavoura. Tecnicamente, o refúgio corresponde a uma área de 20% do total da lavoura, distante, no máximo, 800 metros da área onde a tecnologia estiver sendo usada. “O refúgio é o plantio de soja convencional na área, como forma de manter baixa a frequência de insetos resistentes à tecnologia”, explica Nishikawa.

Em maio deve ser feita a primeira seleção de variedades comerciais e a tecnologia deve estar disponível aos sojicultores na safra 2012/2013. O lançamento comercial da Intacta RR2 Pro deve coincidir com sua aprovação nos principais países importadores de soja. Por enquanto, a tecnologia já foi aprovada no México, Austrália e Nova Zelândia.

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