Tecnologia no pasto surpreende realizadores do Rally da Pecuária

Estadão

29 de novembro de 2011 | 21h21

Foram 30 mil quilômetros percorridos em 9 Estados, 90 fazendas visitadas e 400 amostras de pasto coletadas. Depois de quase dois meses de viagem, terminou no dia 11 de novembro a edição 2011 do Rally da Pecuária 2011, expedição técnica que avaliou, in loco, a pecuária bovina de corte e a qualidade das pastagens no País. Os resultados do rally foram apresentados hoje, em evento na Fiesp, em São Paulo (SP), pelo sócio-diretor da Bigma Consultoria, Mauricio Palma Nogueira, e pelo sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, coordenadores da expedição.

A área percorrida pelo rally corresponde a 75% do total do rebanho brasileiro e 85% da produção de carne no País. Com base em informações de 305 questionários respondidos por produtores, saiu o perfil da amostra:

– Rebanho total da amostra: 1,3 milhão de cabeças
– Área total de pasto da amostra: 795,8 mil hectares
– Rebanho total confinado: 413,8 mil animais
– Lotação: 1,58 animal/hectare
– Desfrute do ciclo completo: 31%
– Rebanho médio das propriedades: 5.505 cabeças
– Área média das pastagens: 3.667 hectares

Uma das surpresas positivas do rally foi, segundo Nogueira, o nível de tecnificação dos produtores, o que reflete num maior volume de pastagem disponível – 17% a mais que o esperado pelos organizadores do rally. “A safra de pastagens foi estimadas em 4,9 bilhões de toneladas (sendo 2,1 bilhões de toneladas de matéria seca). Essa maior disponibilidade de pasto mostra que o produtor está colocando tecnologia nessas áreas e que os rebanhos estão mais ‘leves’, com mais animais jovens, o que também reduz o consumo de capim”, explicou Nogueira. Por tecnologia, explicou Nogueira, entende-se algum tipo de adubação e calagem, prática tradicionalmente dispensada por pecuaristas. Dos pecuaristas ouvidos, 55% afirmaram que adotam algum tipo de adubação no pasto. “Nossa expectativa era que menos de 15% dos pecuaristas fizessem uso de fertilizantes”, afirmou Nogueira.

A lotação do pasto também foi superior ao estimado antes do rally: 1,58 animal/hectare ante 1,22 animal/hectare projetado antes da expedição. “Isso mostra que a tecnificação de pastagens está muito mais difundida do que imaginávamos.” Outra surpresa positiva do rally foi o fato de que 75% dos produtores entrevistados afirmaram que precisam reformar alguma área de pastagem. Destes 75%, metade afirmou que precisa reformar de 10% a 30% do pasto; 35% disseram que precisam reformar mais de 30% da área; e o restante afirmou precisar reformar menos que 10% de seus pastos.

O rally também fez uma constatação surpreendente, segundo os organizadores. De todos os produtores ouvidos, 22% afirmaram que usam alguma estratégia de venda futura. Destes 22%, 54% usam o mercado a termo; 31% usam o mercado de opções e 15% utilizam mercado futuro. “Esse dado é muito animador, pois mostra que o produtor está procurando se programar melhor. Essas ferramentas também implicam saber o custo de produção, o que indica, portanto, que o pecuarista está fazendo conta”, disse Pessôa.

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