Transgênicos e defensivos

Estadão

30 de setembro de 2010 | 10h00

Esteve aqui, na redação, o diretor de Operações de Negócios Brasil da Bayer CropScience, Gerhard Bohne. Entre os vários temas discutidos, uma questão chamou a atenção: a discussão sobre se os transgênicos aposentariam de vez, daqui a algumas décadas, os defensivos agrícolas. Isso porque, com o desenvolvimento de vegetais transgênicos resistentes a determinadas pragas e doenças, com o tempo os defensivos se tornariam desnecessários, já que a planta transgênica teria capacidade, por si só, de se defender. Para Bohne, a resposta é não. “Os transgênicos não excluirão os defensivos”, diz ele, e que o futuro é as empresas trabalharem cada vez mais ambos os assuntos em conjunto. “A agricultura é algo em constante mutação.” E cita a soja RR, transgênica, que é resistente ao glifosato. Nos plantios de soja RR  têm aparecido ervas daninhas também resistentes ao glifosat, o “roundup”, do RR (roundup ready). Nos EUA, as invasoras são a buva e o amaranto. No Brasil, sobretudo a buva, que tem se espalhadonas lavouras do norte do Rio Grande Sul e oeste e norte do Paraná, além do azevém. “A buva tem obrigado os agricultores a voltar a aplicar herbicidas convencionais, que não o glifosato”, diz Bohne. Ou seja, nada de aposentadoria dos defensivos num horizonte próximo.

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