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A “menina do Terminal Itaquera”, o custo e o benefício

Bruno Oliva

17 de novembro de 2015 | 13h02

Recentemente o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, descreveu em uma palestra uma conversa que teve com uma menina em um ônibus em Itaquera que o fez “quase desistir”. Em resumo, ele se mostra feliz pelo fato do trajeto feito de ônibus entre o Terminal de Itaquera e o Parque Dom Pedro ter se reduzido de 1:40 hora para 47 minutos, mas ao comentar isso com a menina ao seu lado que faz o trajeto diariamente – “ficou bom né?” – toma um inesperado cruzado no queixo – “mas e os carros?” – e se mostra muito surpreso (veja vídeo abaixo).

O diálogo descrito acima se insere em um contexto, presente no dia a dia dos paulistanos, de discussões sobre as medidas de mobilidade urbana que vêm sendo tomadas pela atual administração municipal. É importante destacar que as decisões de políticas públicas (e na vida privada) trazem sempre potenciais benefícios e, como nem tudo são flores, custos (que normalmente afetam de modo distinto os diversos segmentos da sociedade). Para que a tomada de decisão seja a melhor possível, é  fundamental considerar todo tipo de benefício e todo tipo de custo, mesmo não sendo essa uma tarefa trivial.

O episódio alertou para um fato que me parece, infelizmente, muito comum: desconsiderar parte relevante dos custos nas análises e no discurso sobre alternativas de políticas públicas.

Benefício aos ônibus; custo aos carros! (Robson Fernandjes/Estadão)

A “menina do Terminal Itaquera”, muito corretamente, chamou a atenção do prefeito para um custo envolvido, maior lentidão para os carros[1] (mesmo ela não sendo negativamente afetada, diga-se de passagem). Sua perspicácia surpreendeu e desalentou o prefeito. Eu também fiquei surpreendido (positivamente, pois não é uma percepção comum) e cheio de esperança, que se multipliquem as “meninas do Terminal Itaquera”.

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[1]  Que fique claro àqueles que não entenderam o espírito do texto:  não se afirma que os custos da implantação de faixas e corredores de ônibus sejam superiores aos seus benefícios[2].

[2] É muito chato ter que fazer essa nota de rodapé, mas é necessário nos dias de hoje em dia.

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