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90 ANOS DO POETA PAULO BOMFIM

A maior poesia do grande poeta é ele mesmo. O homem que vê o mundo com amor e as pessoas com a compreensão de quem sabe que viver é muito complicado

Antonio

03 de outubro de 2016 | 08h29

No dia 30 de setembro passado o poeta Paulo Bomfim completou 90 anos de vida. Paulo Bomfim é um dos maiores poetas da língua portuguesa de todos os tempos. Seus sonetos estão entre os melhores já escritos. Sua crônica da cidade de São Paulo é inigualável. Seu conhecimento da história de São Paulo é inigualável. Seu amor pela cidade de São Paulo é inigualável.

Mas Paulo Bomfim vai muito além. Ele, o ser humano, é sua  maior poesia. Paulo é bom, generoso, vê o mundo com ternura e os homens com compaixão.

90 ANOS DO POETA

Poeta, para mim, só tem um: Paulo Bomfim. É assim que eu o chamo faz mais de 20 anos. Eu sei que existem outros poetas e que também são ótimos, mas eles são os outros poetas e Paulo Bomfim é o meu amigo.

Paulo Bomfim tem olhos doces. Sempre foram doces, mas com o passar do tempo foram se tornando mais doces, como se o aprendizado da vida tivesse ensinado que as imperfeições humanas transcendem a vontade das pessoas. Somos como somos porque fomos feitos assim. Se fosse de outra forma, seriamos outros, quem sabe deuses e não seres humanos.

Paulo Bomfim entendeu isso cedo. Entendeu vivendo num mundo especial: sua família. Menino, conheceu Mário de Andrade frequentando a casa dos pais. Com 6 anos, vestia-se de soldado na Revolução de 1932. Com a idade, foi entrando na vida; depois, mergulhando na vida, para ser parte ativa da vida de São Paulo, de onde retira a seiva deixada no solo pelos antepassados que fundaram a vila e se embrenharam pelos sertões.

Os olhos de Paulo Bomfim trazem a doçura de quem aprendeu a esperar pelos que ainda não voltaram das antigas bandeiras. Dos que adormeceram abrindo fazendas. Dos que fundaram cidades.  Dos que impuseram as cicatrizes das ferrovias no chão fértil dos cafezais.

Mas os olhos de Paulo Bomfim ficam ainda mais doces na companhia dos que amou e dos que ama. Seus pais. A esposa, grande amor que moldou sua vida e resgatou sua alma. O filho. Os amigos e os amores – os que partiram e os que estão aqui. Nas histórias da noite. Do dia. Das casas claras. Dos quartos escuros. Da mata na infância da fazenda. Das areias. Das águas do mar. Do vento. De conviver bem consigo mesmo.

Paulo Bomfim chega aos 90 anos de idade semeando ternura, carinho e amizade. Parabéns, Paulo Bomfim! Obrigado por você existir.

 

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