A boçalização do mundo

Poucas vezes na história da humanidade a sociedade funcionou ética e moralmente tão mal como agora. Mas a barbárie não vai vencer, pois as pessoas de bem não vão permitir, porque acreditam no bem, na liberdade e na felicidade.

Antonio

02 de julho de 2019 | 11h04

É louco, mas ouvir um manifestante parisiense falando contra as doações para a reconstrução de Notre Dame é a mesma coisa que assistir a destruição pelo Estado Islâmico de um templo de 3 mil anos de idade.

Os motivos são tão estúpidos um quanto o outro. E não justificam, nem explicam a posição completamente sem lógica, o argumento tacanho, o fanatismo sem sentido.

Fanatismo. Essa é a palavra que move parte do mundo nestes anos profundamente modificados pela chegada das redes sociais.

Nunca o ser humano teve à sua disposição a quantidade e a qualidade de conhecimento oferecido pela Internet. Perto do que temos hoje, a Enciclopédia Britânica, que, aliás, está na rede, é conversa de criança.

E, no entanto, poucas vezes na história da humanidade a sociedade funcionou ética e moralmente tão mal como agora.

A radicalização é recorrente. A extrema direita cresce em cima da hipotética falência dos modelos democráticos de governo e gestão social.

O bom agora é o meu. O dos outros não tem razão nenhuma para existir, exceto eu poder tomar para mim. O centro do mundo é o próprio umbigo e as verdades são as palavras de líderes que pensam igual.

Ninguém questiona se a informação tem algum sentido. Pouca gente para e pensa na falta de lógica de certas notícias que não podem ser verdadeiras, mas que chegam como se fossem a palavra divina revelada.

Não reconstruir Notre Dame é aceitar a fogueira coletiva queimando Van Gogh, Monet, Raphael, Leonardo, Michelangelo, Bosch e os milhares de artistas que retrataram a sociedade. É negar os pensadores, cientistas, poetas e escritores que interpretaram e deram sentido à sociedade.

A barbárie está crescendo, mas não vai vencer. As pessoas de bem, os que acreditam no bem, na liberdade e na felicidade, não vão permitir.

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