A fila da balsa

As pessoas de bem precisam se unir para impedir os que se acham "espertos" e só querem levar vantagem em cima de todo mundo!

Antonio

02 Agosto 2018 | 09h15

Quando eu era menino, o jeito de se chegar de carro no Guarujá era pela balsa. A Piassaguera, que hoje se chama Domênico Rangoni, veio muito depois, lá por 1970.

A fila da balsa podia demorar horas. Por conta disso, o Iate Clube tinha uma baleeira, chamada Caco, que tinha sido do meu pai e, antes, de meu tio Caco, que atravessava o canal e pegava os sócios que deixavam o carro num posto de gasolina perto da balsa.

Era mais rápido, mas ficar na fila tinha sua diversão. Os vendedores de biscoito de polvilho, de sorvete, de água, bananada e o mais que se imaginar faziam a festa das crianças nos carros, que, para ficarem quietas ganhavam um pouco de tudo, dependendo do tamanho da fila.

A fila impunha respeito. Era muito raro alguém tentar furar e entrar no meio para levar vantagem. Mas era muito divertido quando isso acontecia. O cidadão forçava, entrava entre dois carros que já estavam nela e se achava o máximo. Ele era esperto.

Até chegar na cabine para comprar o bilhete da balsa. Aí o carro que tinha ficado à sua frente e o carro logo atrás prensavam o esperto, chamavam um policial ou o próprio funcionário da balsa, contavam que o esperto tinha furado a fila e ele era obrigado a voltar para o fim e ficar mais algumas horas se arrastando no ritmo das balsas, até conseguir atravessar.

No Brasil de hoje está faltando isso. As pessoas de bem se unirem para impedir que os espertos furem as filas das balsas, na entrada do cinema, nos restaurantes, nos postos de gasolina.

É hora das pessoas de bem não permitirem que os malandros e os que querem levar vantagem se imponham no grito, como se o mundo fosse deles. É hora do brasileiro olhar os países ricos e se convencer que, se todo mundo fizer o que é certo, ser esperto é uma tremenda roubada.