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A irritação é o padrão nas ruas

No meio de tantos detalhes que se observam nas ruas, há um quer permeia tudo: a irritação. Mas isso pode mudar...

Antonio

12 de dezembro de 2019 | 07h21

Andar por São Paulo é sempre fascinante. Observar a cidade e seus moradores tem sempre algo novo, algo inesperado ou surpreendente.

Não precisa ser grandioso, nem importante, nem fazer diferença na vida de milhares de pessoas. As coisas fascinantes muitas vezes são como as violetas: pequenas, não chamam a atenção, nem têm nada que as marque ou marque o momento. E, no entanto, são únicas, trazem uma poesia que transcende a luz do dia e a torna mais clara, mais brilhante, mais transparente e mais bonita.

O inesperado tem gosto de sorvete de coco numa manhã de primavera com temperatura de alto verão. É bom, refresca e alegra. É verdade, o sorvete pode ter outro sabor e o resultado será o mesmo. Não é o sorvete que faz a diferença, a diferença está nos nossos olhos, na alma, na maneira de deixar a vida entrar.

E a vida entra como a vida corre. Tanto faz se a queremos bela e amiga, ela vem do jeito que vem, muitas vezes carregada, pesada, sem nada de muito bom na pegada torta que machuca o corpo, fere a alma e entristece o espírito.

Nem sempre depende de nós. É assim porque é assim. Outro alguém decidiu ficar bravo, ficar irritado, não ter paciência ou seja lá o que for. O resultado é que a irritação dele baterá em você, de uma forma ou de outra.

Baterá porque as chances da pancada aumentam na medida em que aumenta a irritação das pessoas e as pessoas estão cada vez mais irritadas, sem paciência, querendo bater o recorde dos cem metros rasos, como se chegar, tanto faz aonde, fosse a única razão de ser.

O trânsito está mais agressivo, as pessoas estão mais agressivas. Dizer bom dia num elevador assusta, como se o outro perguntasse: bom dia por quê? Bom dia porque o dia pode ser bom. Depende só de nós.

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