A rotina se chama sibipiruna

Na deslumbrante sequência de floradas, chegou a vez da sibipiruna, que muita gente não sabe o que é, mas que tem sempre uma florada especial.

Antonio

28 de outubro de 2019 | 11h21

Depois da florada maravilhosa dos ipês rosa, que deixaram para o último minuto a explosão de suas flores e com isso nos pegaram de surpresa, a vida segue em frente. A vida segue em frente porque a vida não é caranguejo, não para, nem anda para trás. A vida é a vida e chega e pega porque chega e pega, mas a pegada é diferente de pessoa para pessoa.

Depois dos ipês rosa, é a vez das sibipirunas darem o ar da graça. Sua florada é completamente diferente da florada dos ipês, mas nem por isso não cria um cenário mágico, com as delicadas flores amarelas deitadas em cima da copa verde, compondo com o azul do céu e o branco das nuvens as cores de nossa bandeira.

As sibipirunas são árvores frondosas, crescem relativamente rápido e sua copa se espalha larga, formando uma grande sombra no chão.

Nem todo mundo sabe que uma sibipiruna é uma sibipiruna e aí eu me lembro da explicação torta que o Zé Santinho dava quando não sabia que passarinho era aquele – “É passarinho bobo do brejo”.

Como as pessoas não sabem que a sibipiruna é a sibipiruna, é bem capaz de saírem com “é uma árvore boba do brejo”, se alguém perguntar se sabem que árvore é aquela.

As sibipirunas são árvores que me falam de perto. Na fazenda da minha infância tinha longos renques de sibipirunas plantadas ao lado das estradas, então são próximas e me falam de lembranças boas, que são as melhores de todas.

Elas me tocam como o cheiro de pão quente saindo da chaminé de uma padaria num domingo de manhã. Ou como o cheiro de terra molhada trazido pela brisa depois da tempestade de verão. A vida é feita de momentos. Uns são mais importantes, outros menos. A florada das sibipirunas é sempre especial.

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