A tranqueira

São Paulo nunca precisou de fortalezas para a sua defesa. Esta era realizada por uma muralha natural quase intransponível...

Antonio

10 de março de 2020 | 12h42

Olinda, Santos, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Natal e a Ilha de Santa Catarina têm em comum os fortes erguidos pelos portugueses para garantir sua defesa, numa época em que a posse da terra ainda não era certa e os ataques de índios, navios de outras nações e piratas eram reais e aconteciam regularmente ao longo do litoral brasileiro.

A Vila de São Paulo nunca teve forte ou fortaleza para sua defesa. O máximo, em termos de proteção, foi a construção de uma tranqueira de paus ao redor do minguado casario que compunha a vila em 1560.

A razão para isso não é difícil de ser entendida. A grande defesa de São Paulo era a muralha intransponível, com quase mil metros de altura, criada pela natureza.

Para se atingir a Vila de São Paulo era necessário subir a Serra de Paranapiacaba e isso só era possível se os paulistas não fechassem os caminhos. Se no começo da colonização os portugueses encontraram o caminho do Peabiru, com construção de qualidade comparável às estradas europeias, depois da ordem do Governador Geral Tomé de Souza para que ele fosse abandonado, só se chegava em São Paulo por trilhas precárias, facilmente interditáveis, o que os paulistas faziam quando não queriam que inclusive os portugueses chegassem na sua vila.

A única ameaça mais séria à Vila de São Paulo de Piratininga foram os ataques dos índios, que se estenderam por alguns anos na segunda metade do século 16, mas que acabaram rapidamente, diante da ação das primeiras bandeiras, organizadas com apoio do padre José de Anchieta.

Sem ameaça direta, não havia razão para construir fortalezas em São Paulo. Além disso, com o desenvolvimento econômico do estado e o medo do governo central da independência de seus habitantes, as tropas aqui aquarteladas nunca estiveram entre as mais poderosas do país.