Aniversário de minha mãe

É bom olhar pra trás e lembrar. E lembrar com ternura é melhor ainda!

Antonio

02 de dezembro de 2019 | 11h15

Se fosse viva, minha mãe estaria completando noventa e cinco anos de idade. Ela faleceu em 3 de abril de 2015, com noventa. Pelo lado de sua mãe, era de uma família longeva. O avô morreu aos noventa e sete, a avó com noventa e quatro, a mãe com noventa e cinco e sua tia Quita com cento e três anos de idade. Em comparação com eles, morreu moça.

Noventa anos é idade para ninguém colocar defeito, mesmo nos dias de hoje, quando a expectativa de vida sobe rapidamente e, em alguns países, os noventa anos já se aproximam da média de vida da população.

No Brasil, ainda estamos na casa dos setenta. Então tem tempo para a média chegar na idade com que minha mãe saiu de cena, entrando na eternidade para reencontrar meu pai, cuja morte ela nunca superou.

Fazendo um balanço honesto, minha mãe foi uma grande mãe. Desde pequeno me proporcionou praticamente tudo, mas, acima deste tudo, foi uma mulher forte e corajosa, que me ensinou muito do que eu sei e me protegeu da forma como pode ao longo de minha vida.

Dizer que era uma mulher fácil é modificar os fatos na maior cara dura. Ela não era fácil. Invariavelmente era seca, mas essa secura, que chegava a extremos duros, era, de verdade, uma enorme timidez, que a fazia esconder suas qualidades.

Foi uma mulher inteligente, charmosa, elegante e bonita, até os últimos anos de sua vida.

Além disso, tinha uma cultura rara no Brasil, até para os dias de hoje. Falava, lia e escrevia bem, português, inglês e francês. Leu os grandes escritores, conhecia teatro e cinema e gostava de música clássica. Foi ela quem me ensinou a gostar de Beethoven, colocando na vitrola o Concerto do Imperador como música de fundo na hora do almoço.

Quatro anos depois de sua morte, eu tenho enorme ternura por ela.

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