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ANTONIO CÂNDIDO

Antonio Cândido, além de ter sido dos intelectuais mais importantes do país, também fará falta pela sua maneira de aceitar as diferenças.

Antonio

23 de maio de 2017 | 11h56

ANTONIO CÂNDIDO

A morte do professor Antonio Cândido abre um enorme claro na inteligência brasileira. Não na inteligência politizada, dogmática, míope e pouco aberta, mas na inteligência que pensa, que avança, busca causa e efeito e aceita as mudanças do mundo como algo natural e previsível.

Antonio Cândido foi dos mais importantes intelectuais do país. Com obra sólida e coerente, mexeu com os alicerces da literatura, deu novos rumos e outras interpretações, criou, modificou e consolidou, não só as letras, mas a forma de ver a vida pública, a participação nos destinos da nação, o envolvimento com as causas maiores e as suas consequências.

Foi professor, crítico, escritor e homem político. Nunca transigiu, foi em frente aceitando a possibilidade dos erros e acertos a que todos nós estamos sujeitos.

Antonio Cândido foi tudo o que os homens públicos brasileiros almejariam ser, se os homens públicos brasileiros não houvessem perdido as qualidades que fizeram Antonio Cândido ser Antonio Cândido, enquanto os homens públicos brasileiros são apenas os homens públicos brasileiros, uma soma de bizarrices, espertezas e desonestidades capazes de deixar com vergonha o maior cara de pau.

A obra do professor emérito é das que veio para ficar. Evidentemente, dentro da inexorabilidade da evolução humana, será completada, contestada, servirá de degrau para o que vem depois, mas será sempre uma obra fundamental para a compreensão dos fatos e das visões de um determinado período histórico.

Mas Antonio Cândido foi maior ainda noutro requisito essencial para definir o ser humano. Ele foi um homem bom, como marido, pai e amigo. Uma pessoa que olhava os outros com olhos quentes e compreensivos. E que aceitava as diferenças sem perder a ternura e a compaixão.

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