Atos heroicos caem no vazio

Ser um herói de verdade é agir em favor dos oprimidos e não jogar para a plateia. O Ex-Presidente Temer perdeu sua oportunidade...

Antonio

08 de janeiro de 2019 | 07h56

Ser herói é que nem a mulher de Cesar. Não basta ser herói, tem que parecer herói. E é aí que o ex-presidente Michel Temer falhou no restinho de tempo que sobrava para seu governo.

O ex-presidente Temer poderia entrar para o panteão dos grandes presidentes, mas algumas atitudes acabaram comprometendo o final da história. E a sua biografia.

Bem no final, posou de herói assinando a extradição do terrorista Battisti, aquele que Lula protegeu, que Dilma agradou e que o ex-presidente Temer durante dois anos poderia ter extraditado, mas não extraditou.

A história não para e o Brasil, cheio dos desmandos que pautaram a vida da nação, inclusive vergonhas como o asilo para o terrorista, votou em Bolsonaro para Presidente.

Bolsonaro disse que um de seus primeiros atos seria extraditar o terrorista. Foi o que bastou para o Supremo Tribunal Federal, numa ação pouco republicana e oportunista, desfazer o que tinha feito e liberar a extradição e determinar a prisão do senhor Battisti.

Na sequência, heroicamente, quase que montado num cavalo branco, o ex-presidente Temer assinou a extradição. Esperteza para ficar bem na foto. “Eu fui o presidente que extraditou o terrorista”.

Por que não fez isso durante os dois longos anos em que foi presidente? De outro lado, por que editou a Medida Provisória que aumenta em 30% o custo do financiamento das Santas Casas e hospitais filantrópicos?

O risco invocado como razão para o aumento da conta não existe. O agente financeiro saca na boca do caixa, antes dos hospitais serem pagos.

Ser herói é agir em favor dos oprimidos, não é jogar para a plateia. O presidente ainda teve tempo para retirar a MP, mas não retirou. No Brasil, o bom é dar dinheiro barato para os amigos. O povo? Ora, o povo…