Avós, pais, filhos e netos

A vida é realmente um ciclo interminável, com as gerações se sucedendo numa longa cadeia no tempo. De filhos e netos, passamos a pais e então chega o momento em que nós somos os avós.

Antonio

18 de fevereiro de 2020 | 16h16

A vida é uma longa corda, que fica sempre mais comprida, adicionando novos pedaços aos pedaços anteriores. Grande parte de nós conheceu pelo menos um avô ou uma avó. Também conhecemos pai e mãe. Depois vieram os filhos, que também têm filhos e, de repente, olhando em volta, descobrimos que somos os avós do começo da história.

Invariavelmente, a lembrança dos avós tem muito de uma pessoa idosa, com jeito de idosa, com as dificuldades dos idosos, vestida e vivendo como uma pessoa idosa.

A última lembrança dos pais também costuma ser a imagem de pessoas idosas, que tomaram o lugar dos avós.

Aí vêm os filhos, e estes serão sempre crianças, até cinquenta anos depois.

Onde a coisa pega é que, com a passagem dos anos, nós ficamos velhos, nos tornamos os idosos, os pais e avós, só que, ao contrário da lembrança que temos dos nossos avós e dos nossos país, não nos consideramos velhos, estamos prontos para o que der e vier.

Hoje, olhando para trás e lembrando do meu pai, os últimos anos foram muito difíceis, mas até oitenta ele saía para pescar ou viajava para a fazenda de um tio para andar pela Mata Atlântica, na Serra do Mar.

Aos oitenta anos ele estava inteiro, tinha seus amigos, sua turma, bebia seu uísque nos finais de tarde, jantava fora, lia, conversava e ficava bravo porque, como ele dizia: “as pessoas não percebem que eu fiquei velho, não fiquei idiota.” Ele não se conformava com a maneira como era tratado porque estava com oitenta anos de idade.

Agora, somos nós que estamos na linha de frente. A geração de meus pais já partiu. Como será que os filhos e os netos nos veem? Será que para eles já somos velhos ou será que ainda falta um tempo para isso acontecer?