Bateria de escola de samba

Poder observar o comando de uma bateria de escola de samba é uma oportunidade que poucos têm de viver...

Antonio

14 de maio de 2019 | 09h43

Se tem alguma coisa difícil no mundo, com certeza é colocar a bateria de uma escola de samba para tocar.

São centenas de pessoas, com centenas de instrumentos, que precisam tocar no mesmo ritmo, na mesma velocidade e afinada.

Para se ter uma ideia da dificuldade da tarefa, a melhor coisa é assistir uma das bandas que ensaiam nos finais de semana na Cidade Universitária. São poucos participantes e, até todos se acertarem, leva um tempão.

Imagine a escola entrando no Sambódromo. Na frente, a comissão de frente, depois, o carro abre-alas e, sucessivamente, toda a evolução até a retaguarda, onde está o puxador do samba e os cantores que o acompanham cantando a música do desfile.

A bateria não fica na frente, nem no fim. Fica no meio e tem que tocar caminhando, com instrumentos de diferentes tipos, grandes e pequenos, carregados pelos músicos marchando em forma, em linha, como soldados num desfile.

Imagine trezentos ou quatrocentos músicos tocando juntos a mesma música, no mesmo tempo, mantendo a afinação, a cadência e a alegria que se espera deles.

Imagine esta massa de gente entrar e sair da baia onde a bateria fica boa parte do desfile, tocando sem parar, sem errar, sem alteração, enquanto a escola evolui, passando por ela.

O som da bateria de uma escola de samba é único, treme a terra, se propaga pelo asfalto, se espalha pela escola, sobe para o público, arrepia, faz chorar, rir e cantar, tudo ao mesmo tempo.

Comandar a bateria de uma escola de samba é mais complexo do que lançar aviões de um porta-aviões. É uma experiência única, que apenas alguns escolhidos têm a oportunidade de viver.

Tendências: