Cada um no seu lugar

Cada um em seu lugar e cada coisa com sua importância. A do ser humano precisa ser reinventada, antes que seja tarde demais.

Antonio

27 de maio de 2019 | 10h10

Avião é avião. Barco é barco. Carro é carro. Bicicleta é bicicleta. Patinete é patinete. Mas gente é gente.

Gente não é coisa, gente é gente. Isso faz toda a diferença. Num mundo onde cada vez mais as coisas são descartáveis, temos que ter cuidado porque gente não é coisa, gente é gente.

Cada um sabe de si, mas todos têm que ter claro que ninguém é melhor ou pior. Somos todos iguais, com as mesmas obrigações e os mesmos direitos.

Esse é o ponto. Muita gente se esquece que, além dos direitos, ou antes deles, temos obrigações e elas são para serem seguidas. São impositivas, não apenas porque estão nas leis, mas porque fazem parte do código moral a que todo ser humano está sujeito e que nos obriga naturalmente a uma série de responsabilidades que não podem ser desprezadas, sob risco de destruirmos a civilização.

Lamentavelmente, nos últimos anos isso tem sido esquecido. As coisas têm se tornado mais importantes do que as pessoas. A solidariedade está acuada e o próprio umbigo se transformou no padrão que baliza as ações de gente que esquece que os outros também são gente.

O resultado é que as diferenças estão crescendo num ritmo alucinante. O “sabe com quem está falando” se espalha feito fogo em palha seca. Grana no bolso é a verdade que conta.

É triste, mas grana no bolso vai se tornando a única verdade que conta. Por isso, as formas de ganhar dinheiro vão se tornando elásticas. Começou a valer tudo, até matar, desde que a grana entre.

Em algum momento, se não fizermos nada para reinventar a importância do ser humano, as coisas vão acabar mal. Mas aí será muito tarde. O estrago estará feito e consertá-lo vai custar caro.

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