Capitalização não tem erro

Já tendo sido usados como arapucas no passado, atualmente as operadoras de títulos de capitalização são empresas sérias e capitalizadas. O setor permanece estável, mesmo o Brasil atravessando uma grave crise.

Antonio

04 Abril 2018 | 08h34

Entra ano, sai ano, os títulos de capitalização seguem na sua toada tranquila e certa. Não há abalo de nenhum lado. As vendas se mantêm grosso modo estáveis, crescem um pouco, recuam um pouco, mas nada que afete o andar da carruagem.

2017 não foi diferente. As operadoras mantiEveram o faturamento na casa dos vinte bilhões de reais, número um pouco menor, mas bastante semelhante ao desempenho dos últimos cinco anos.

Nada que a crise não explique, tanto do lado positivo, como do negativo, representado pela pequena queda do faturamento em 2017.

O lado positivo é que o brasileiro continua acreditando na sorte grande e por isso segue firme na busca da bolada que vai resolver sua vida. O título de capitalização que se destaca é o tradicional, com sorteio e poupança atrelados ao mesmo produto. Aliás, é exatamente esta característica que faz o sucesso do produto.

Na visão do comprador, o título de capitalização é uma loteria na qual ele não perde, se não tirar a sorte grande. Como parte dos recursos do título é destinada ao sorteio e parte é destinada a um programa de poupança por prazo determinado, se o título não for sorteado, após o transcurso do prazo previsto, o cidadão tem o direito de resgatar a parte investida, devidamente capitalizada. Quer dizer, ele não perde tudo, como acontece quando alguém joga numa loteria tradicional e não ganha um dos prêmios em jogo.

Existem outras modalidades de planos de capitalização, tanto que boa parte dos sorteios de prêmios promocionais dos shoppings centers brasileiros é paga através de um plano de capitalização específico para este tipo de evento.

Também é possível usar o título de capitalização como alternativa ao seguro de fiança locatícia, servindo como garantia para o proprietário do imóvel no caso de inadimplemento do locatário.

Mas, na essência, o que realmente puxa as vendas do setor e lhe dá a estabilidade dos últimos anos é o plano tradicional, no qual o comprador fica feliz ao resgatar a parte destinada à poupança, ainda que depois de um certo tempo, porque fica com a sensação de que enganou a operadora do título, porque jogou, não ganhou, mas também não perdeu, ainda que receba de volta apenas uma parte do dinheiro investido.

Os planos de capitalização são uma invenção francesa, que não poderia ter um desenho mais apropriado para dar certo no Brasil. Tanto é assim que faz mais ou menos um século que, entre tempestades e bonanças, são vendidos por aqui, sempre com boa receptividade do público.

Os títulos de capitalização já foram usados como arapucas para pegar incautos ou pessoas de “muita boa fé”, interessadas em fazer um negócio extraordinário, levando vantagem em cima de outro. Da promessa da casa própria a caminhões, já usaram de tudo para enfeitar o bolo e impingir os títulos, algumas vezes com histórias extremamente criativas, que passaram a fazer parte do folclore.

Mas esse tempo passou faz muitos anos. Atualmente, as empresas operadoras dos títulos de capitalização são capitalizadas, sérias, profissionais e entregam exatamente o que vendem, tanto que faz muitos anos que não há nenhum abalo no setor.

Ao contrário, como disse no começo do artigo, mesmo o Brasil atravessando uma das crises mais graves de sua história, as empresas de capitalização não tiveram uma redução significativa do faturamento. Ao contrário, o setor permaneceu estável, tanto na entrada como na saída dos recursos. Os sorteios continuaram acontecendo sem qualquer problema e os prêmios pagos dentro das rotinas dos diferentes planos oferecidos ao mercado. Da mesma forma, os resgates continuaram sendo pagos em valores significativos, acima de um bilhão de reais, sem qualquer alteração no dia a dia das empresas ou dos investidores.

Com a retomada do crescimento, é provável que o faturamento dos títulos de capitalização em 2018 cresça em relação ao ano passado. Mas não será um crescimento explosivo, o que é muito bom, porque não há nada melhor do que crescer com consistência e segurança para garantir o futuro de uma atividade.