Cultura é vida

As ciências exatas são essenciais ao desenvolvimento material, mas são as ciências humanas que garantem o crescimento moral, única resposta à barbárie.

Antonio

17 de julho de 2019 | 11h20

Dez mil anos de história geraram cultura, conhecimento e uma base sólida para o ser humano evoluir e se tornar o mestre do planeta.

Imaginar que apenas as matérias exatas fazem sentido e colaboram para a evolução humana é tão estúpido quanto queimar os livros que o partido Nazista não gostava em enormes fogueiras Alemanha a fora.

As ciências humanas dão a base necessária para as ciências exatas se desenvolverem. As grandes questões éticas, essenciais para a vida em sociedade, são geradas, amadurecidas e formatadas pelas ciências humanas.

Sem história, sociologia, filosofia, arqueologia, antropologia, direito, política e as demais matérias chamadas humanas, a história da humanidade não teria se desenvolvido como se desenvolveu, os enormes avanços técnicos não teriam acontecido, o ser humano não teria ido à lua, nem estaria voando para fora do sistema solar.

Sem arte também estaríamos nas cavernas. Sem pintura, escultura, dança, música, teatro e literatura, a humanidade não teria absorvido a beleza, o profundo e o essencial da vida, nem estaria pronta a permanentemente superar os desafios morais que nos fazem melhor.

Cultura é vida. Não há diferença entre as equações matemáticas e os silogismos propostos pela filosofia. Sem filosofia, sem resposta aos problemas filosóficos, as equações matemáticas seriam mancas ou vazias e não serviriam para nada.

As ciências exatas são essenciais ao desenvolvimento material, mas as ciências humanas são quem garante o crescimento moral, sem o qual a barbárie é a única resposta. O General Millan Astrai, ao entrar na Universidade de Salamanca, proclamou: “Abaixo a inteligência, viva a morte”. Parece que estamos vivendo tempos distantes da resposta de Miguel de Unamuno: “Viva a inteligência, abaixo a morte.”

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