De boas intenções o inferno está cheio

Pra consertar o Brasil, não bastam todas as pessoas cheias de boas intenções. Precisamos de gente que conheça a solução para fazer algo que não seja serviço de amador...

Antonio

16 de julho de 2018 | 15h50

Tenho ouvido regularmente me dizerem que deu errado, mas fulano tinha boas intenções quando fez ou deixou de fazer. Que ele não fez por mal, como é o caso da ex-Presidente Dilma, que criou um rombo de mais de 60 bilhões de reais no caixa da Petrobrás porque achava que entendia de política de preço de petróleo. Não entedia, deu no que deu, mas tem quem defenda suas boas intenções como justificativa para o estrago.

É o caso da ex-Prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que fez uma das piores gestões da cidade, mas tem como justificativa ser honesta e ter boas intenções.

Pode parecer estranho no Brasil de hoje, mas ser honesto é o mínimo que se espera de alguém que se lance na vida pública.

Quanto às boas intenções, confesso que tenho pavor delas. Eu nunca esqueci meu pai dizendo que de boas intenções o inferno está cheio.

Poucas ações são mais desastradas, perigosas e perniciosas do que alguém que não sabe, mas, cheio de boas intenções, faz alguma coisa.

Raramente dá certo. E o prejuízo… “ora o prejuízo! Ele estava cheio de boas intenções”. O prejuízo evidentemente é nosso, do cidadão de bem que serviu de cobaia e ainda por cima paga a conta do estrago.

Fulano achou que fazendo assim ia conseguir tal resultado, não conseguiu, o problema só mudou de lugar, se espalhou, escapou do controle, mas tudo bem, ele teve boa intenção, então não deve ser responsabilizado, tanto faz o tamanho do rombo.

O problema nacional é a quantidade de gente com boas intenções disposta a consertar o país sem ter a menor noção da causa do problema.

Vamos aceitar o óbvio: não dá certo. Não dá certo porque a solução está errada. Temos que aprender que o mundo não é lugar para amadores. Por isso o inferno está cheio deles. Meu pai tinha toda a razão.

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