Estilingue

Entre um cruel estilingue da minha infância e os games atuais não é difícil perceber onde reside mais violência e menos humanidade...

Antonio

24 Abril 2018 | 07h48

Hoje é proibido vender revólver de espoleta. Não sei se é medo da concorrência com as armas de verdade que entram no país feito água em peneira. Também não sei se é por medo da concorrência com os games modernos, onde o sangue jorra por todos os lados.

Nenhuma das situações me parece ameaçada, mas o fato é que proibiram vender revólver de espoleta, enquanto, na outra ponta, comprar um AR15 ou um AK47 é coisa de somenos. É só chegar na boca certa e levar para casa, dependendo do valor do negócio até com um saquinho de cocaína como brinde do vendedor.

Como se não bastasse, as armas de brinquedo atuais são muito mais perfeitas do que os antigos revólveres de espoleta e passam por armas de verdade com enorme facilidade. Então, nem aí haveria uma hipotética concorrência potencial.

Além das armas de espoleta, o mundo, ou pelo menos o Brasil, viu sumir das prateleiras dos quartos dos meninos o velho e bom estilingue. Ninguém mais lembra o que era um estilingue e provavelmente um jovem de hoje não tem a menor ideia do que a palavra significa.

Quem teve um estilingue feito de forquilha de galho de jabuticabeira com câmera de pneu de caminhão cortada fininha e um couro macio para receber a pedra sabe do que eu estou falando.

Era uma arma terrível, capaz de matar passarinho e fazer gato e cachorro fugirem miando e ganindo ao receberem a pedrada.

Além de pedras, os estilingues funcionavam muito bem com bolinhas de gude, pela própria natureza a melhor munição para tiros mais longos, e com frutos de mamona, perfeitos para guerras entre a meninada. Eu não tenho mais idade para ter estilingue, mas tive, e garanto que eles eram muito mais humanos e menos violentos do que os games modernos.