Febre maculosa mata

As onças não dão conta de comer tantas capivaras e os rios paulistas estão infestados com esses ratões enormes, que também transmitem as doenças dos ratos em geral. A febre maculosa entre elas.

Antonio

05 de abril de 2019 | 09h29

Febre maculosa mata. Eu sei porque, há exatos vinte anos, morreu um funcionário da fazenda de uma prima na beira do rio Jaguari, em Jaguariúna.

As capivaras estavam correndo pela margem do rio e eu, brincando, disse que precisávamos de algumas onças no pedaço.

Tinha muita capivara solta e aquilo não poderia acabar bem, então a solução era uma onça. Foi aí que me disseram que a região tem onças pardas, a suçuarana, e que elas vagam em volta, protegidas pelos cartazes colocados pelas prefeituras pedindo que não sejam mortas.

Se os cartazes são respeitados e têm algum efeito prático é outra história. Minha irmã, quando morava perto, na antiga fazenda de meu avô, na divisa de Pedreira com Amparo, um belo dia deu de cara com uma onça parda deitada no galho de um flamboyant, com a cauda balançando de um lado para o outro.

Mas, se tem onça, e eu acredito que tenha, as capivaras são mais rápidas e procriam numa velocidade superior à capacidade das onças comerem as capivaras.

O resultado é que as capivaras estão em toda parte, ao longo das margens do rio. E quem mora no pedaço tem medo dos carrapatos, que são os vetores da febre maculosa, transmitida pelas capivaras.

Proteger o meio ambiente é saudável e faz bem para o corpo e para alma. Mas defender o meio ambiente implica num certo bom senso, em primeiro lugar, para manter o equilíbrio e, em segundo, para não prejudicar o ser humano, que, afinal, deve ser o grande beneficiário desse tipo de ação.

Os rios paulistas estão infestados de capivaras. As capivaras são ratões enormes, com o mesmo potencial de transmitir doenças dos ratos em geral. O resultado disso é que não falam muito sobre o assunto, mas pelo interior muita gente já perdeu gente querida por causa da febre maculosa.

Tendências: