Hierarquia é bom e faz bem

O pior é que, no Brasil, a mera noção de hierarquia já foi pro brejo. Isso representa uma triste volta no tempo...

Antonio

17 Agosto 2018 | 13h13

Quando eu estava no CPOR, comecei a achar demais e o Capitão Molinari, um instrutor do curso de Artilharia, me disse: “Aluno Penteado, quantas estrelas você tem no ombro?” Eu respondi: “Nenhuma, Capitão.” Ele prosseguiu: “Então, fique quieto porque eu tenho três em cada um”.

Foi provavelmente a melhor lição que eu recebi sobre hierarquia. As Forças Armadas, a igreja e o partido comunista têm em comum a hierarquia. Ninguém discute ordem do superior, pergunta se é boa ou se está certa. Ordem se cumpre porque é assim que a cadeia de comando funciona.

Se todos os subordinados fossem discutir cada ordem do superior na cadeia de comando, o mundo acabava em barranco e os mais espertos pediriam para descer logo porque o final da história seria complicado.

O drama do Brasil é que a hierarquia foi para o brejo. Tanto faz que hierarquia, começando pela hierarquia das leis, a ordem e o progresso da bandeira são palavras vazias balançando ao vento, no centro de um pavilhão deslumbrante.

Tanto faz a lei, a regra, a tradição. “Eu quero eu faço e o mundo que se exploda!”

“Faço conversão em local proibido. Estaciono onde quero. Dou marcha ré na Marginal. E, pra quem não gostar, não respeito fila, não respeito polícia, não respeito sentença judicial e pouco me lixo com o que os outros acham”.

Na década de 1960, quando meu pai era diretor da Companhia Paulista de Laminação, aconteceu uma greve no ABC e os seus funcionários não aderiram. Então um piquete, funcionário da Refinaria da Petrobrás, chamou meu pai e disse: “Nóis qué greve, nóis faiz greve. E o senhor e seus funcionários aceita porque quem manda é nóis.”

Pelo jeito, voltamos no tempo. E isso é muito triste.