Lendas brasileiras

As lendas brasileiras são lindas e estão presentes na vida das nossas crianças.

Antonio

08 Novembro 2018 | 11h08

Quando eu era menino, na fazenda de Louveira, um dos melhores programas era caçar. Tanto fazia se no Matão, no Matinho do Motor, nos eucaliptais, bom, bom mesmo, era entrar no mato na boca da noite e ficar até umas dez horas pitando cigarro de palha, sentado perto do carreiro, com a espingarda na mão, prestando atenção nos barulhos da mata.

Mas em certas noites ninguém caçava. Eram as noites do Tatu Branco, um ente mágico que protegia a floresta e surgia para os caçadores que desafiavam as noites proibidas e engolia os canos das espingardas.

Anos depois, lendo Luis de Câmara Cascudo, descobri a lenda dos Tatus Brancos, uma tribo de índios que atacava, prendia e comia os brancos que invadiam seu território, escondido nas matas de Goiás.

A mitologia brasileira é rica e maravilhosa. O Negrinho do Pastoreio mostra na história sofrida a poesia da redenção nos pampas gaúchos. A Gralha Azul fala da continuidade da vida nos pinheirais do Paraná.

A Iara fala dos rios do norte, assombrados pela beleza hipnótica da princesa das águas, em verdade um monstro terrível, que devorava os incautos atraídos para sua loca.

E o que dizer de Cobra Nonato, O Frade e a Freira, A Lenda de Paraguaçu, A Virgem Aparecida e tantas outras que ainda correm vivas nas noites do nosso imenso sertão?

Mas as principais, presentes na vida das crianças brasileiras, e lindas, e inesquecíveis, são a Mula Sem Cabeça, o Lobisomem e o Saci.

Sem dúvida por estarem nos livros de Monteiro Lobato, elas marcaram nossas infâncias, são parte da vida de milhões de crianças que cresceram por fora, mas continuam crianças por dentro e por isso, nas noites escuras, têm medo do lobisomem, sabem que os sacis viajam nos rodamoinhos e que as lendas não são inventadas, acontecem de verdade.