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Lição de humildade

É bom pra cada um de nós de vez em quando ter uma lição de humildade. Se você está precisando, sugiro que dê uma volta pelo pronto socorro da Santa Casa de São Paulo...

Antonio

05 de dezembro de 2019 | 07h12

Tem certos dias em que me sinto muito importante ou, ao contrário, acho que o mundo não gosta de mim. O melhor jeito para resolver as duas situações é descer no Pronto Socorro da Santa Casa de São Paulo e dar uma andada pelos corredores normalmente sem macas, vendo a vida que acontece lá dentro.

Não há importância que resista, nem desânimo que não passe. As histórias dentro do pronto socorro, até quando têm final feliz, são pesadas, machucam gente, abatem pessoas, maltratam corações e mentes.

Uma vez desci lá e tinha um soldado da PM com o dedo na testa de um homem deitado numa maca. Perguntei por que ele estava com o dedo na testa do homem e a resposta foi ele tirar o dedo. O jato de sangue esguichou alto, saindo pelo buraco feito por uma bala calibre trinta e oito.

Alguns dias são mais acelerados. Neles, com todo o processo Lean em funcionamento, não tem jeito, os corredores ficam cheios de macas porque não tem outro lugar para colocar os pacientes.

As equipes funcionam absolutamente organizadas e o que poderia ser o caos é apenas uma ordem apertada pelo excesso de gente. Médicos, enfermeiros, auxiliares, outros colaboradores caminham pelos corredores, salas e quartos de forma eficiente e profissional, providenciando o atendimento que cada caso requer, separando as pessoas pela gravidade de seu estado, levando alívio a quem está sofrendo.

Ninguém vai para o maior pronto socorro de portas abertas da cidade para passear. E as ambulâncias chegam o dia inteiro, deixando quem precisa de auxílio na porta salvadora, atrás da qual terão ao menos um olhar amigo, um gesto de compaixão.

Descer no pronto socorro da Santa Casa de São Paulo é uma lição de vida que ensina, acima de tudo, humildade.

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