Mãos Limpas

Se há uma peça para ser assistida e aplaudida, é "Mãos Limpas", de Juca de Oliveira!

Antonio

14 de novembro de 2019 | 10h15

Mãos Limpas, a nova comédia de Juca de Oliveira, mostra com enorme graça tudo aquilo que a imensa maioria da população gostaria de dizer, mas não sabe como.

Juca de Oliveira é dos maiores nomes do teatro brasileiro. Ator, autor, diretor, a vida de Juca de Oliveira passa pelo palco entre tragédias e comédias com a mesma facilidade com que uma criança bebe um copo de água.

A competência com que ele sai do Rei Lear para o Dr. Mário, de Mãos Limpas, reforça seu enorme talento e seu profissionalismo. Autor de peças como Caixa 2, Meno Male, Às Favas com os Escrúpulos e outras de enorme sucesso, que ficaram anos em cartaz, Juca tem o dom da narrativa inteligente, maliciosa, bem pensada e melhor escrita.

Mãos Limpas não foge da regra. A comédia é inusitada. A trama é completamente inesperada. Quem vai ao teatro se surpreende com a forma como o enredo se desenrola, com a entrada em cena dos personagens, com as falas, com os ganchos que nos remetem à realidade do país.

Comédia, Mãos Limpas aborda as mazelas, o podre e o feio que são parte do dia a dia da vida dos brasileiros; que envergonham o dia a dia dos brasileiros; que custam centenas de milhões de dólares aos cofres públicos, sangrados sem a menor pena dos brasileiros.

Mais uma vez atuando com Fúlvio Stefanini, numa parceria antiga e extremamente bem-sucedida, em Mãos Limpas, os dois contam com o talento de Taumaturgo Ferreira, de Bruna Miglioranza, Claudia Mello e Nilton Bicudo para dar ritmo ao texto competentemente dirigido por Léo Stefanini.

Eu não vou contar a peça, nem o começo, nem o meio, nem o final. Ela merece ser assistida e aplaudida por todos que gostam de teatro. Com certeza é um grande programa para se fazer em São Paulo.

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