O Centro Velho deteriorado

Ainda gosto de caminhar por lá, mas a deterioração mostra a sua sujeira dia dia e assusta de noite...

Antonio

29 de novembro de 2019 | 09h02

O Centro Velho está muito deteriorado. As ruas sujas e malcuidadas estão em grande parte ladeadas por lojas fechadas, prédios pichados, prédios invadidos, prédios em ruínas e muito lixo amontoado nos cantos mais inusitados.

Ao longo delas, os moradores de rua se espalham, ocupando as portas dos edifícios, embaixo dos beirais, em cima de caixas de papelão servindo de cama, protegidas por outros papelões e cobertores estendidos para barrar o vento que corre encanado pelos prédios, com mais força e mais frio do que nos espaços abertos.

Uma parte de seu outrora pujante comércio continua sobrevivendo. Novas lojas abrem, outras fecham, mas o movimento de 30 anos atrás está perdido no passado e com poucas chances – pelo menos hoje – de conseguir recuperar seus espaços e sua força.

Algumas ruas se destacam. Entre elas, vale citar a Barão de Paranapiacaba, com seu comércio de joias e bijuterias garantindo o emprego de centenas de pessoas que, direta ou indiretamente, trabalham com estes artigos. A rua vale uma visita e quem quiser voltar ao passado e reencontrar uma das lojas que marcaram época, é só subir um pouco para chegar no Museu do Disco, instalado num espaço pequeno, mas com um acervo impressionante, principalmente pela qualidade.

O Largo do Ouvidor está longe de ser o que já foi, mas o terreno do antigo “joquinho” está lá, servindo de estacionamento para a Secretaria da Segurança. Como está lá o bom e velho Itamarati e a tradicional joalheria Conde de Monte Cristo. Do outro lado, no Largo de São Francisco, a faculdade de direito reina imponente, ladeada pelas duas igrejas coloniais.

O Centro Velho está deteriorado. De dia mostra a sujeira, de noite assusta, mas mesmo assim gosto de ir até lá e caminhar por suas ruas.

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