O futuro a Deus pertence. Como será o futuro?

Num mundo em rápida transformação, o passado não serve mais para balizar o presente. Estatísticas fundamentais até ontem perderam o sentido. O que está acontecendo é novo e o novo assusta.

Antonio

21 Setembro 2016 | 08h46

Será que a próxima geração usará o automóvel como nós usamos até hoje? Será que ter um carro será símbolo de status? O compartilhamento, a carona, a co-propriedade mudarão as relações empresariais e sociais, a importância dos setores econômicos, a forma de fazer negócios. Estas mudanças afetarão toda a sociedade e, consequentemente, o setor de seguros. Isto levanta uma série de

QUESTÕES COMPLICADAS

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, na Capital são roubados 9 veículos por hora, o que dá a estonteante marca de um veículo a cada 6 minutos e meio. Apesar de São Paulo ser a cidade com o maior número absoluto de veículos roubados, se for feita a proporcionalidade entre a frota e os crimes, fica claro que outras cidades têm índices pior, o que leva à conclusão de que não há como o seguro de veículos custar barato no Brasil.

Por si só, este dado merece análise cuidadosa para delimitar o espaço futuro do seguro de automóveis. Mas há outras questões que merecem ser levantadas, antes disto.

É sempre bom se ter claro que o seguro é uma atividade que olha para trás. A base para a precificação das apólices são os fatos passados. A sinistralidade, sua frequência e valor médio. O problema é que, nos dias de hoje, com as mudanças rápidas de comportamento social, pode acontecer da experiência passada não ser mais um indicador confiável para a precificação das apólices.

O mundo está vivenciando uma mudança impressionante no comportamento das pessoas. Valores que até ontem eram importantes para mostrar sucesso e status, estão sendo deixados de lado por uma geração que não se preocupa com aparência, elegância, roupas, grifes, carros de luxo ou ostentar riqueza e poder.

Também há mudanças profundas no que tange a relação com o meio ambiente e com o universo em volta. Para não falar no comprometimento com a saúde do planeta e bem estar dos povos, independentemente de nacionalidade. Para as gerações atuais, o que acontece do outro lado do mundo pesa e tem consequências diretas no modo de vida, nos gastos, na forma de tocar negócios e relações pessoais ou sociais.

A primeira consequência visível é a redução do uso de máquinas com potencial poluidor, como é o caso dos automóveis. Hoje, não há como se fazer previsões minimamente confiáveis sobre o futuro da indústria que, há pouco mais de cem anos, revolucionou o planeta. Quem disser que sabe o que vai acontecer com o automóvel está chutando. E isto tem impacto direto sobre o negócio das seguradoras.

Ações como compartilhamento, uso comum, copropriedade são cada dia mais comuns. Afinal, para que ter uma garagem no imóvel? Para que imobilizar uma soma razoável de dinheiro num bem que não tem utilidade 24 horas por dia?  Por que arcar com custos de manutenção, seguros e impostos para manter um bem que não é essencial?

O uso do automóvel “quando necessário” já é realidade em várias partes do mundo. O transporte coletivo de qualidade, aplicativos como o Uber, taxis mais modernos podem resultar em economia e rapidez quando comparados com a utilização de veículos particulares.

Nesta linha de raciocínio, é possível acontecer a queda rápida do número de veículos produzidos anualmente. O impacto sobre a economia será dramático. Menos carros significa menos indústrias de autopeças, pneus, peças de reposição, oficinas mecânicas, distribuidoras, lojas, concessionárias, transportadoras, guinchos, etc. Significa também menos seguros, não só de veículos, mas em todos os ramos. Afinal, a indústria como é hoje tenderá a encolher.

Neste novo cenário, será que a experiência passada será suficiente para as seguradoras precificarem os novos riscos? Pouco provável. O que temos pela frente é o desconhecido porque é novo e não porque não havia sido estudado.

Se não bastasse, os prejuízos causados pelos eventos de origem natural atingem picos jamais vistos e apresentam crescimento constante, inclusive em lugares onde antes não aconteciam.

Exemplo disso é o que tem acontecido no Brasil. Até há poucos anos ninguém falava em furacões, tornados, tempestades devastadoras. Mesmo a neve no inverno, hoje tão comum, caía em doses homeopáticas.

Como proteger a sociedade destes riscos? Como proteger a sociedade dos efeitos do aumento da longevidade? Como garantir a viabilidade da indústria do seguro num universo com riscos desconhecidos?

A lição de casa é complexa, exige muito estudo, criatividade e competência. A única certeza é que o que existe hoje será história em poucas décadas.