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O São Paulo não é o pior, é quase o pior

o futebol é o retrato do país. Ninguém tem comprometimento com nada e quem tenta, nem sempre sabe o que faz.

Antonio

28 Julho 2016 | 08h09

Eu tenho um ladrilho que uma tia avó trouxe da Itália faz muitos anos. Nele tem um versinho que diz: quem pode não quer, quem quer não pode. Quem sabe não faz, quem faz não sabe. E assim o mundo vai mal.

O Brasil levou a ideia quase que a perfeição. O resultado é irmos mal e não ter uma luz no final do túnel. Está tão complicado que não tem nem o farol da locomotiva que vai nos atropelar porque as bitolas das linhas não são as mesmas, com ficou demonstrado pelo metrô de São Paulo.

O melhor retrato é futebol. Estamos desmoralizados porque merecemos estar desmoralizados. O 7X1 não foi por acaso. É ver o São Paulo jogar. Mas para quem acha que o São Paulo é o pior, gostaria de lembrar que a Seleção é inspiradora. Nunca uma seleção brasileira foi tão ruim ou chegou perto desta.

Abaixo segue o texto da minha crônica de 27 de julho na Rádio Estadão

O SÃO PAULO É O RETRATO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Pode ser que aconteça um milagre e o time, em algum momento no futuro, comece a jogar futebol. Pode ser até que vença torneios importantes, como Libertadores e Campeonato Brasileiro. Afinal, futebol é imprevisível e, como acontece na vida, nem sempre quem vence é quem merece. A culpa não é dos jogadores, nem do técnico. É de quem montou o time. O time é ruim. E faz o que pode, mas, como é ruim, não faz quase nada.

A verdade dura, triste, desmoralizante é que hoje, no país, tem um único grande time pior do que o São Paulo. Apenas um. A seleção brasileira.

Ver um ou outro jogar não dá sono porque dá raiva. Dá vergonha, irrita, faz perder a paciência, mas também faz pensar, e o resultado é a certeza de que o futebol brasileiro, com o que temos aí, perdeu a mão, ou o pé.

Explica por que estamos em sexto lugar nas classificatórias da Copa do Mundo, por que tem gente, desde já, inventando desculpas para uma eventual vergonhosa desclassificação.

Explica por que os brasileiros estão cada vez mais decepcionados. A questão não é política, nem econômica, a questão é moral e varreu o país de lado a lado, esbodegando com conceitos como vergonha na cara, honestidade, competência e dedicação.

Patriotismo é coisa completamente fora de moda, apesar de alguns jogadores cantarem o Hino Nacional com lágrimas nos olhos e, mais importante, o bolso cheio de dinheiro.

Amor à camisa é romantismo, coisa do tempo que a mulher amada morria tuberculosa, costurando de noite para sustentar o amante ingrato que vivia na gandaia, mas que se arrependia de tudo depois que ela morria.

É triste. É muito triste, mas é assim. O São Paulo é o patético retrato do futebol brasileiro. O duro é que, com nossos dirigentes e falta de craques de verdade, vai levar tempo para mudar o quadro.