O show dos ipês amarelos

Este ano os ipês deram um show! Quem sabe, talvez até em homenagem ao poeta Paulo Bomfim... Mas eles cumpriram a sua missão. E o ipê amarelo da Santa Casa também não fez feio!

Antonio

08 de outubro de 2019 | 11h42

Este ano não tem como não reconhecer: o show foi dos ipês amarelos. Os ipês roxos vieram com tudo, os ipês rosas encantaram a cidade e os ipês brancos se cobriram de neve, na sua singela homenagem a vida.

Mas quem deu o show, quem botou o bloco na rua, quebrou os paradigmas, rompeu as barreiras da beleza foram os ipês amarelos.

Não me lembro de outras vezes em que estiveram tão carregados, tão densos, tão entregues à magia de se enfeitarem e enfeitarem a vida, intensamente, com vontade, com gana e garra.

Os ipês amarelos estão espalhados pela cidade. Por isso, de repente, um aparecia no meio de uma praça, se destacando entre as outras árvores, outro aparecia sozinho numa calçada, com as flores balançando na brisa.

Os mais erados cortaram de cima, na festa das flores lembrando o ouro arrancado das matas pelas bandeiras que varavam o sertão.

Entre eles, o ipê amarelo da Santa Casa não fez feio. Grande, alto, com o tronco grosso, o ipê entrou em cena, como sempre, um pouco atrasado, na semana de 20 de setembro. Chegou meio como quem não quer nada, com uma floradinha no primeiro dia, para, nos dias seguintes explodir intensamente, como manda a boa educação dos ipês, que reza que sua missão é enfeitar a vida, e o da Santa Casa sabe que sua responsabilidade é maior do que a dos outros.

Poderia citar meia dúzia de ipês que se superaram, explodindo sua cor, mais densos ou mais suaves, mas todos profundamente amarelos, como se quisessem competir com o sol ou prestar uma homenagem ao poeta Paulo Bomfim que partiu para o sertão, encontrar seus antepassados.

Bem-aventurados ipês amarelos, que sabem que sua missão se confunde com seu destino e que a razão de ser de suas flores vai muito além de toda a filosofia, de toda a poesia que tenta cantar o indescritível.

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