O sonho vira cinzas

Uma faísca.... suficiente para por tudo a perder! Mas, não, a escola tem que desfilar!!

Antonio

11 de novembro de 2019 | 12h37

Escola de samba é paixão, é amor, é entrega, é sacrifício, é a vida em sua plenitude, resumida em algumas horas de desfile, numa única noite mágica, aguardada ao longo do ano.

Os integrantes de uma escola de samba se matam por ela, fazem hora extra para entregar as fantasias, criar os carros, as alegorias, o samba que vai embalar o desfile.

Durante um ano inteiro eles se preparam para o grande momento, dão o sangue trabalhando para colocar a escola no sambódromo, ensaiam a coreografia, o ritmo, a música puxada pelos cantores que têm a missão de manter algumas mil pessoas sambando no mesmo ritmo, ao som da bateria marcando a cadência.

Os destaques se enfeitam mais que os outros, fazem sua parte, são as estrelas de Hollywood, criam emoção, frisson, surtam, pedem desculpas, ficam exaustos, recomeçam. Faz parte do show.

Como faz parte esconder as fantasias, não contar os detalhes do enredo, criar mistério para abrir a surpresa na hora que a escola entra e começa o desfile.

O ano é longo. As tarefas se multiplicam, a comunidade se entrega de corpo e alma para fazer o melhor possível, ou mais do que o melhor possível.

Aí, de repente, sem aviso, sem ninguém esperar, uma faísca coloca tudo a perder. O galpão onde a escola está sendo montada pega fogo. As chamas rapidamente consomem o material inflamável, o calor faz o telhado desabar e o que o fogo não queima, a queda da cobertura acaba de destruir.

O sambista chora, enxuga a lágrima, é preciso recomeçar. Não tem dinheiro, não tem tempo, mas a escola tem que desfilar. A comunidade se une mais, toma fôlego e toca em frente. A escola tem que desfilar!

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