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O taxista que gostava de música clássica

Não era o esperado, mas teve uma explicação: num trânsito como o de São Paulo, não tem como não precisar ouvir música clássica... os outros "barulhos" te levam a loucura e a pensar em coisas ruins...

Antonio

05 de setembro de 2019 | 08h25

Outro dia levei meu carro para a revisão e, por conta disso, andei de taxi pela cidade. Entre os taxis que tomei, um merece esta crônica. Pena que não anotei seu nome.

Precisava ir do escritório para a Academia Paulista de Letras. Tomei o taxi e pedi que ele me levasse para o Largo do Arouche.

Entrei no carro distraído, mexendo no celular. Dei o endereço sem olhar para o motorista e voltei aos “zaps”, o que me fez levar algum tempo até entender o que estava me passando uma sensação diferente.

Era a música que estava tocando dentro do carro. Em época de funk ostentação, funk pancadão, sertanejo universitário, corno sertanejo e outras baladas que eu não entendo, nem gosto, estava tocando um concerto de música clássica.

Comecei a prestar atenção no motorista e vi que ele estava inteiramente no ritmo da música, contente por estar ouvindo o concerto, em vez de estar sintonizado numa das muitas rádios que tocam os barulhos de hoje ou transmitem a mensagem dos pastores traduzindo a vontade de  Deus, de acordo com a qualificação da usura e outros dispositivos do Código Penal.

Era um concerto muito bonito. Também entrei na vida da música e foi só quando o concerto acabou que eu falei. Contei ao motorista que não me lembrava de outro taxista que gostasse de música clássica.

Ele respondeu que, no trânsito de uma cidade como São Paulo, simplesmente não tem como você não precisar ouvir música clássica. Que se sintonizar uma rádio que toque funk ou sertanejo pancadão a pessoa fica louca e começa a pensar coisas ruins. Que ele não queria pensar coisas ruins e, além disso, o que poderia ser mais bonito e mais humano do que uma sinfonia de Mozart?

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