O uso do Pacaembu

A privatização do Pacaembu faz sentido para acompanhar a evolução da cidade. Mas, por estar num bairro residencial, o estádio precisa ser usado de forma inteligente.

Antonio

04 de abril de 2019 | 07h03

Eu cresci no bairro, por isso frequentei a pista de corridas durante alguns anos. Além disso, a feira em frente ao Estádio é um marco na culinária brasileira – é lá que fazem o melhor pastel da cidade.

O Estádio do Pacaembu me traz lembranças importantes da minha infância. Foi lá que vi a banda dos Fuzileiros Navais evoluir no gramado, na abertura dos Jogos Panamericanos de 1963, se não me engano.

Ao longo dos jogos, assisti uma série de competições, mas as que mais me marcaram foram as provas de equitação.

Também assisti dezenas de jogos de futebol no Estádio do Pacaembu. Mas o mais importante foi o jogo em que o Santos fugiu de campo, depois de ser goleado pelo São Paulo.

O Estádio do Pacaembu é bonito, tem caráter, história e tradição e precisa continuar sendo utilizado. É um equipamento urbano importante demais para deteriorar por falta de uso.

É por isso que sua privatização faz sentido. O mundo mudou. A cidade mudou. As necessidades dos habitantes mudaram. Não há razão para o Estádio não acompanhar a evolução da cidade e muito menos ficar fora do processo.

Fala-se em investimentos de até 500 milhões de reais. É dinheiro grosso e sua aplicação no Pacaembu é necessária para permitir o uso de suas instalações de forma a remunerar o concessionário. Ninguém entra num negócio como este para perder dinheiro.

De outro lado, o bairro é um bairro residencial, com características que precisam ser preservadas e respeitadas. Entre elas, o movimento na região e, consequentemente, o tipo de evento montado no Estádio.

Não há razão para o Estádio do Pacaembu não ser utilizado de forma inteligente. Se isso acontecer a cidade sai ganhando.

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