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Os ipês

Os ipês, em todas as suas cores, foram feitos por Deus para mostrar a beleza, em qualquer idade. Cabe a nós encontrá-la para dar sentido à nossa vida!

Antonio

02 de outubro de 2019 | 08h55

O ipê roxo abre a sessão, entrando de sola com suas flores arroxeadas logo na metade do ano. Os ipês roxos são árvores com forte noção de solidariedade, por isso estão plantadas em vários cemitérios da cidade para deixar a eternidade dos mortos mais bela e mais amiga, enfeitada com suas flores deslumbrantes.

Depois, ainda que a ordem não seja absolutamente correta, nem integralmente respeitada, podemos seguir com os ipês rosas e os ipês brancos, para finalizar com os ipês amarelos.

Mas isso é muito mais ou menos. Tem sempre um engraçadinho querendo chegar na frente dos outros, o que quebra a sequência, confunde os ipês e atrapalha a rotina das árvores, que se perdem na quebra da ordem.

Os ipês rosas são deslumbrantes e completam o cenário criado pelos ipês roxos. Com eles, o contraste com o céu atinge um ponto de conto de fadas e aí tanto faz se o trânsito anda ou não anda. Ficar vendo as árvores floridas paga todos os preços.

Os ipês brancos são os mais delicados, os mais suaves, mas sua florada atinge uma intensidade de sonho, como se a neve que não cai no Brasil tomasse suas flores de assalto para mostrar o que o branco mais branco pode fazer para a felicidade dos seres humanos.

Os ipês amarelos falam de lendas, de Eldorados, de Lagoas Douradas, de entradas, bandeiras e monções que partiam de São Paulo para arrancar do fundo dos sertões o ouro que mudou a cara do mundo.

Suas flores amarelas remetem aos rudes europeus que desembarcaram no Brasil, atrás de aventuras e riquezas.

Os ipês são únicos. Deus os fez florir no outono e no inverno para mostrar que a beleza não tem época, nem idade, e que compete a cada um de nós encontrá-la para dar sentido à própria vida.

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