Paradoxos

Os paradoxos da capacidade humana... conseguem fotografar um buraco negro, mas deixam erguer prédios sem a mínima condição de segurança!

Antonio

03 de junho de 2019 | 09h47

De um lado, num trabalho incessante, em cooperação entre várias nações e dezenas de cientistas, depois de 25 anos, o ser humano consegue fotografar o impossível de ser fotografado. O buraco negro, um dos grandes mistérios do universo, mostrou sua cara.

Marco na evolução da ciência, daqui para frente a história terá outra narrativa, outro ponto de vista, outro ponto de luz. Arrancado da goela insaciável do buraco negro escondido a 55 milhões de anos-luz da Terra. Enorme, maior do que todo o sistema solar, o silencioso devorador de estrelas, o responsável pelo fim abrupto de constelações e cometas, o cavaleiro negro da eternidade, finalmente se deixou fotografar e agora nós sabemos que ele existe, que é real, que devora a luz e extingue a esperança de um ano a mais brilhando no cosmos.

De outro lado, num trabalho criminoso, milicianos do Rio de Janeiro erguem prédios irregulares, sem nenhuma condição de segurança, sem cálculos estruturais, sem certeza da resistência dos materiais, da capacidade das lajes, das amarrações das paredes e das colunas de sustentação.

O resultado é que mais de 60 desses edifícios foram erguidos numa zona de preservação ambiental, sem licença, sem alvará, e, ao mesmo tempo, sem nenhuma ação concreta para impedir sua construção.

No máximo, os agentes da prefeitura iam até lá, lacravam a entrada, avisavam que o prédio tinha problemas e iam embora, sem se preocupar com a execução de suas ordens, com cumprimento da evacuação.

Agora, dois desses monstrengos, ou dessas armadilhas, desmoronaram, arrastando consigo o que tinha dentro deles, de sonhos a vidas, de objetos a histórias.

As desculpas se multiplicam. Ok, mas quem vai fazer alguma coisa?

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