Paulo Bomfim 1

Poetas não morrem, se transformam em cometas. Agora temos um novo cometa no nosso céu...

Antonio

18 de julho de 2019 | 09h41

Dia 7 de julho de 2019, Paulo Bomfim saiu desta dimensão para entrar na eternidade. Os poetas não morrem. Os poetas se transformam e se eternizam, não apenas em palavras, mas como parte do universo.

Eles afundam. Na terra, se transformam em minerais e sobem pelas raízes como seiva das plantas.

Se espalham no cheiro de terra molhada levado pelo vento.

Estão nas patas dos cavalos em disparada, no urro da onça escondida numa grota escura na mata da fazenda da infância.

Estouram nas rochas com as ondas do mar, declamando a poesia das marés.

Refletem com a lua cheia nas águas de um lago à meia noite.

Brilham nos raios do sol.

Os poetas não morrem, se transformam em cometas.

Paulo Bomfim está semeando poesia pelos confins do universo.

Paulo Bomfim está no planalto da eternidade, reencontrando seus antepassados que ele esperava voltarem do sertão fazem três séculos.

De gibão e bacamarte no ombro, percorre a rota que lhe abre as portas do novo Guairá, onde seus antepassados e seus amigos o esperam para dividir as riquezas dos Eldorados da eternidade.

E está na trincheira encantada da Revolução de 32, lutando pelo certo e pelo justo.

Paulo Bomfim alegra o paraíso, soprando versos que arrepiam os seios das musas, cantando o amor e a beleza e falando da possibilidade de todos os encantamentos escondidos nos detalhes do mundo.

Meu amigo saiu desta vida para entrar na eternidade. Está ao lado de Deus, conversando sobre os próximos movimentos do universo, sobre o melhor local para um nova Via Láctea. E marcando a rota do seu cometa.

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