Paulo Bomfim 3

A maior poesia do Poeta foi a sua vida! Ele era um homem realmente bom. Era meu amigo legal e ele dividia sua bondade e sua ternura com quem lhe era caro... Saudades suas, Paulo!

Antonio

05 de agosto de 2019 | 16h47

Falar do meu amigo Paulo Bomfim, para mim, é um privilégio e a saudade de uma perda imensa. Ao longo de mais de vinte e cinco anos tivemos contato diário por telefone e pelo menos duas vezes por semana estávamos juntos.

Ao longo destes anos, era comum, além do almoço de quarta-feira, com outros amigos, uma vez por semana almoçarmos apenas nós – no começo, ele, sua esposa Emy e eu; depois da morte dela, ele e eu; nos últimos três anos ele, a Fafá e eu.

A soma de experiências vividas, divididas e comentadas com ele me fez um homem melhor. Paulo era um homem bom, na acepção da palavra “bom”, e dividia sua bondade e sua ternura com quem lhe era caro.

Para dar a dimensão do Paulo, certa vez almoçávamos, Emy, ele e eu, e eu lhe perguntei: ”Poeta, você não tem ninguém que você não goste?” Ele pensou um pouco, deu um tapa na mesa e respondeu: “Tenho, tenho sim! Eu não gosto de ninguém que fez mal aos meus antepassados”.

Paulo Bomfim era o amigo leal, o irmão mais velho, o confidente que sabia de mim o que eu não teria coragem de contar a um confessor. Da mesma forma que eu sabia, contado por ele, o mais escondido da sua alma.

Paulo era poeta, mas sua maior poesia era ele, o homem extraordinário e superior, extremamente humano no jeito de encarar a vida.

Falar dele resgata uma longa história, feita de momentos felizes, alegres, tristes, melancólicos, mas todos inseridos no rio da vida, entre corredeiras, cachoeiras e longas planícies, porque a vida não é fácil – a vida é vida. E depende de nós a fazermos bela.

Minha convivência com Paulo Bomfim foi bela, foi rica, foi generosa e farta. Ao longo de todos estes anos não teve um único momento em que não tivemos uma sintonia especial. Paulo, saudades suas!

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