Paulo Nogueira Neto

Uma vida intensa, muito rica e útil. Um grande homem, que vai fazer falta!

Antonio

07 de março de 2019 | 06h59

A morte de Paulo Nogueira Neto abre um claro na beleza das matas, diminui a força das águas dos rios, esconde as densas palmeiras que um dia, voando sobre a Amazônia, ele descobriu encravadas na mata virgem.

Ao longo de quase cem anos, Paulo Nogueira Neto teve uma vida intensa, rica e útil. Viveu o exílio do pai, viveu próximo do pai, que não hesitou em custear a vida dos exilados paulistas que não tinham recursos para viver fora do Brasil, durante a ditadura de Getúlio Vargas.

Cresceu na fazenda São Querino e na Usina Esther. Amplas áreas de terra pertencentes à sua família, onde aprendeu o valor da natureza e a importância de sua preservação.

Advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, decidiu estudar biologia, se tornou professor da USP e se especializou no estudo das abelhas, sendo reconhecido como um dos maiores especialistas internacionais sobre o tema.

Mas a contribuição extraordinária de Paulo Nogueira Neto para o país foi a construção da ideia da preservação do meio ambiente nacional. Foi ele quem, nos anos 1970, começou a plantar a semente da preservação e, como Secretário Especial do Meio Ambiente, demarcou e protegeu grande parte dos parques hoje existentes no Brasil.

Sua atuação foi tão importante que ele é reconhecido internacionalmente, tendo sido das poucas pessoas no mundo que recebeu o maior prêmio da Grã-Bretanha para a preservação do meio ambiente.

Conheci Paulo Nogueira Neto menino. Nossas famílias são próximas e seu filho Eduardo Manuel é meu amigo de longa data. Quando entrei na Academia Paulista de Letras passamos a conversar regularmente e, apesar de ele ter idade para ser meu pai, nos tornamos bons amigos. Paulo Nogueira Neto vai fazer falta, para o Brasil, família e amigos, entre eles, eu.