Pragmatismo

Entre ideologia e ação política, ficou com o pragmatismo.

Antonio

31 Janeiro 2019 | 07h11

Se alguém tinha alguma dúvida, a Bolívia acaba de dar importante lição, mostrando que, em política, antes de tudo, vale o pragmatismo.

Ideologia é uma coisa, ação política é outra e as duas não se misturam. A política prevalece sempre, até quando parece contraditório.

A deportação, ou melhor, a entrega do Senhor Battisti para as autoridades italianas mostrou que, em matéria de absolutamente, nada como, não resta a menor dúvida, estou com o senhor e seu digníssimo sucessor.

Todo mundo sabe que o viés ideológico de Evo Morales é muito mais próximo ao Comandante Maduro e a Gleisi Hofmann do que a Bolsonaro ou ao governo italiano.

E, no entanto, a Bolívia não hesitou um segundo. Primeiro prendeu Battisti e em seguida o entregou as autoridades italianas, que enviaram um avião especial para levar o antigo terrorista para cumprir a pena de prisão perpétua a que foi condenado por matar várias pessoas em nome da revolução comunista.

Mas Evo Morales é mais pragmático do que isso. Não titubeou um segundo. No dia primeiro de janeiro estava na fila do gargarejo na posse do Presidente Bolsonaro. Afinal, se não vender gás para o Brasil, sobra muito pouco para a Bolívia fazer, tanto faz a ideologia.

É verdade que, em seguida, foi para a Venezuela assistir à posse do Comandante Maduro, mas isso é lógica aplicada. Afinal, eles comungam das mesmas ideias, completamente diferentes das de Bolsonaro.

A vinda à posse do presidente brasileiro e a captura e posterior entrega do Senhor Battisti por Evo Morales prova apenas o que todos os políticos sempre souberam, desde os tempos da antiga Mesopotâmia.

Ideologia é discurso, o mundo real é pragmático. O político que confundir os conceitos corre o risco de sair de cena rapidamente.