Pulando que nem cotia

O Brasil está pulando que nem cotia. É preciso lembrar que política é mais do que redes sociais e que respeitar o outro, quando ele é melhor que você, é o mínimo que se espera.

Antonio

09 de maio de 2019 | 09h03

Quando perguntavam para meu tio Roberto Cerqueira Cesar como ele ia, a resposta era, invariavelmente: “pulando que nem cotia”.

Era a forma dele definir as dificuldades da vida e a força que nós temos que fazer para tocar em frente da melhor forma possível, especialmente quando o tempo está fechado e o sudoeste bate rijo.

O Brasil vai mais ou menos no ritmo de tio Roberto. O país está pulando que nem cotia e não está saindo do lugar. O curioso é que não tem neblina, o vento é brisa, o tempo está limpo e, mesmo assim, estamos desgarrados, velejando de lado, como se o timoneiro não tivesse noção de vela e do tamanho do barco.

O timoneiro, não, ele e a equipe mais próxima, o pessoal que traça a rota. Eles estão brincando de ver o fundo do mar pelo fundo de vidro, enquanto a proa vai para onde quer, do jeito que quer, com as velas soltas batendo forte, sem encontrar o vento.

Navegar em mar manso é fácil e nem disso eles estão dando conta. Num mar com marola, estamos sacolejando como se estivéssemos debaixo de tempo, como se as ondas entrassem de lado, cortadas, desencontradas, uma depois da outra, mas sem cadência, derrubando a proa entre elas e fazendo a turma a bordo enjoar.

Tio Roberto riria do Brasil que vai saindo da enorme esbórnia que o próprio governo está fazendo.

Homem vivido, com prática política, criador da EMURB, da Secretaria dos Negócios Metropolitanos e da Emplasa, dono de um senso de humor apurado, ele riria, balançaria a cabeça, chamaria a turma de amadora e repetiria: o Brasil está pulando que nem cotia.

Política é mais do que as redes sociais. Saber negociar e respeito pelo próximo, quando o próximo é melhor que você, é o mínimo que se espera.