Quem viu e quem vê

O Jockey teve os seus anos de glamour,de clube rico e poderoso, mas seu presente é complicado e o futuro incerto.

Antonio

21 de outubro de 2019 | 10h09

Quem passa pela Avenida Lineu de Paula Machado nos finais de semana e vê as ciclovias impondo sua presença para as calçadas sem carros parados ao lado, não imagina o que era a avenida nos sábados e domingos, quando as corridas de cavalo atraíam multidões para as arquibancadas do Jockey Clube.

Atualmente, o imenso espaço ocupado pelo clube fica quase que a semana inteira praticamente vazio. As corridas de cavalo saíram de moda e os poucos páreos que ainda atraem público levam quase que ninguém para as arquibancadas tristemente vazias.

Na década de 1960, o Jockey imperava soberano, com o volume das apostas transformando sua bilheteria numa das maiores aplicações do sistema bancário nacional.

Nos anos 1970, o Jockey ainda era um clube rico, poderoso, com o glamour do Grande Prêmio São Paulo, enfeitando seu gramado com verdadeiros desfiles de moda, todos querendo aparecer mais do que os outros.

As corridas de cavalo eram um programa especial. Jantar no terraço do Jockey para ver as corridas noturnas era programa milimetricamente pensado para levar a menina e pedi-la em namoro no momento certo, de preferência quando o cavalo em que ela apostou ganhava a corrida.

As apostas variavam de tamanho – de jogos pequenos a verdadeiras fortunas – e o caixa do clube era milionário. Na época de ouro do “open market”, ser tesoureiro ou presidente do Jockey fazia a diferença.

Muita gente ficou pobre e ninguém ficou rico apostando nos cavalos. Meu pai dizia que não há fortuna que resista a uma amante argentina e cavalos de corrida. Mas esse tempo passou. Hoje, o Jockey faz o que pode para tocar em frente, mas seu presente é complicado e o futuro incerto.

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