Quero apenas o simples

Além de todo o falsos heróis e brilhos fajutos. Quero gente vivendo as coisas de todo dia, com um sorriso e uma prece nos lábios, enquanto corre atrás da vida.

Antonio

28 de maio de 2019 | 08h33

Não quero gestos heroicos. Não quero salvadores da pátria, montados em cavalos brancos, com suas lanças protegendo as virtudes e a família.

Não quero autoridades, com as Mont Blancs que ganharam do pai no dia em que passaram no concurso, se imaginando Ivanhoé com a espada da verdade salvando as donzelas e impondo a justiça.

Não quero ministros, deputados, senadores, presidentes ou qualquer outro alto escalão que diminua a autoestima do brasileiro, envergonhado com toda sorte de desmandos praticados por quem deveria dar o exemplo.

Não quero marajás arrotando suas aposentadorias indecentes. Nem as filhas que têm quatro filhos, mas nunca casaram para não perder a pensão que era do pai.

Não quero nada do que atrai os jovens com o sonho mirabolante do salário alto e do pouco trabalho, travestido em Eldorado nos concursos públicos, que atraem milhares de pessoas atrás da boquinha ou da teta do Estado.

Não quero nada que brilhe mais do que o brilho dos olhos ao encontrar outros olhos. Nada mais próximo que um aperto de mão. Nada mais quente do que um abraço. Nada mais humano do que a sua amizade.

Quero as histórias de quem sai de casa cedo e vai trabalhar na luta pelo pão nosso de cada dia.

Quero o cansaço de quem bate pernas atrás de um emprego porque destruíram a malha social da nação e ele não tem como encontrar trabalho, enquanto os responsáveis pelo estrago bebem champanhe e se entopem de caviar como se não tivessem nada com isso.

Quero enfim, apenas o mais simples, o mais singelo e o mais humano. Quero o sorriso que abre o pôr do sol. A prece no final do dia, O encantamento da lua cheia. Quero gente vivendo. Só isso já é muito.

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