Remunerações vergonhosas

Os números publicados pelo IBGE sobre a situação socioeconômica nacional em contraste com o reajuste dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal só leva a uma conclusão: eles não têm vergonha na cara!

Antonio

21 de dezembro de 2018 | 14h43

Uma bela manhã você acorda sabendo que os ministros do Supremo Tribunal Federal vão ter seus salários reajustados em mais de 16%.

Aí você pensa: mas a inflação não está em 4%? Parado no trânsito, continua pensando e lembra que 13 milhões de brasileiros estão desempregados.

E vai mais longe, lembra que a conta é manca porque o IBGE não inclui entre os desempregados os que não estão procurando emprego.

A conclusão é lógica: o aumento dado aos ministros do Supremo é uma vergonha, uma aberração em absoluto descompasso com a nação.

Mas o drama é muito pior e já está em execução. O Congresso, que foi quem votou o aumento, já iniciou os estudos para ainda este ano estender o benefício aos deputados e senadores.

Será que alguém imagina que os estudos mostrarão que o aumento não é viável? E que, na sequência, não será estendido a todo o funcionalismo público, em todas as esferas, instâncias e poderes?

A festa é farta. Jânio Quadros diria que é a festa do Lalalu. Explicando a festa, ele fazia uma exposição muito interessante sobre quem entra com o quê.

O que apavora mais ainda é que o IBGE acaba de publicar os números sobre a situação socioeconômica nacional e eles estão longe de serem bonitos ou de confirmar a afirmação de Lula de que o PT tirou o brasileiro da miséria e criou uma nova classe média.

De acordo com o IBGE, 54 milhões de brasileiros vivem na pobreza e outros 15 milhões vivem na miséria.

São números apavorantes, que levam à pergunta óbvia: será que nossas autoridades não têm vergonha na cara?

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