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Ricardo Boechat morreu

Ele não poderia morrer neste momento conturbado da história brasileira, pela sua atuação como jornalista. Mas, além do profissional, ele era um ser humano especial, querido e admirado!

Antonio

19 de fevereiro de 2019 | 11h41

Ricardo Boechat morreu na semana passada, vítima de um acidente de helicóptero quando voltava de Campinas para São Paulo.

Acidentes acontecem e acidentes com helicóptero acontecem proporcionalmente mais ainda, como mostram as estatísticas.

Nesta vida, o difícil é nascer. Para morrer basta um minuto, na hora e no lugar errados. Ninguém foge da sua hora e da sua vez. Com Ricardo Boechat não foi diferente.

Neste momento extremamente conturbado da história brasileira ele era dos poucos que não poderia morrer. Profissional diferenciado, Boechat trazia o profissionalismo, a competência e o bom senso para suas matérias.

Duro na crítica e sem medo de criticar, ele ia fundo no tema e colocava o dedo na ferida, à direita e à esquerda, sem medo de falar o que queria dizer, invariavelmente, o comentário correto para a situação analisada.

Na hora em que o jornalismo atravessa uma séria crise de identidade e os veículos de comunicação tradicionais veem as receitas minguarem, a morte do Boechat abre um claro incomensurável na capacidade de bem informar brasileira.

Com sua morte, o rádio e a TV perdem um profissional cuja voz capaz de ir fundo não gritava, nem ameaçava, nem fazia piadas sem graça, em nome de um pretenso saber acima do bem e do mal.

Ao contrário, o diferencial do Boechat era a humildade. A humildade de quem sabe que é menor do que os fatos, a humildade de quem tenta entender. A humildade de quem sabe que, quando muito, tem as perguntas e que elas podem ser muito complicadas.

Mas Ricardo Boechat era mais que jornalista, era um ser humano especial, querido e admirado. Companheiro, pai e amigo, viver, para ele, era muito mais do que ser um jornalista famoso.

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