ROUBO DE VEÍCULOS CRESCE 50% NO RIO DE JANEIRO

O Estado do Rio de Janeiro é dos mais importantes para o setor de seguros. O aumento da criminalidade, pela perda do controle pelas autoridades, leva ao aumento do preço do seguro.

Antonio

12 Junho 2017 | 11h46

 

O retrato do desmantelamento moral do Rio de Janeiro é o ex-governador preso. Nada exprime melhor o que fizeram com o Estado, nem o grau de desmandos que tem pautado a vida do cidadão comum.

Quando o exemplo vem de cima, ele vem com mais força. Por que a bandidagem se manteria apática vendo a bandalheira comer solta nos altos escalões? Não se manteve. O Rio de Janeiro hoje é terra de ninguém, ou melhor, terra de bandido, porque a polícia, sem receber, faz greve ou operação tartaruga, quando não age de forma equivocada, criminosa ou desmoralizante.

O resultado está nos números recém-publicados, que dão conta que o roubo e furto de veículos cresceu 50% no Estado, na comparação de abril com abril do ano passado, e 40%, quando a comparação é feita entre o primeiro quadrimestre de 2017 e o mesmo período de 2016. Como não poderia deixar de ser, as indenizações de seguros subiram significativamente e, consequentemente, o preço dos seguros de veículos também foi revisto para cima, na média, 20%.

Para as seguradoras que, por conta da crise, já vinham patinando nos resultados dos seguros de veículos, a notícia não poderia ser pior. O Estado do Rio de Janeiro é um dos mais importantes para elas. Lá está a sede da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), da CNSEG (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), da Funenseg (Escola Nacional de Seguros), do IRB-Brasil RE e parte da administração de algumas das mais importantes seguradoras em operação no país.

Se, de um lado, o setor de seguros tem forte presença no Rio de Janeiro, de outro, ao que parece, as autoridades perderam o controle do Estado, o que se reflete nas notícias cada vez mais tristes, quando não trágicas, sobre o avanço da criminalidade em todas as áreas e espaços.

Há quem diga que trafegar pelas Linhas Vermelha e Amarela é uma roleta russa, com grandes chances de a aventura acabar mal. Andar de ônibus pode ter final complicado, se os bandidos decidirem colocar fogo no veículo em que você está dentro. Ir à praia pode resultar numa facada ou tiro. Passear pelas ruas da cidade pode ser mais perigoso ainda.

A coisa está tão feia que até o apartamento do Governador do Estado foi assaltado, o que, pelo menos, mostra que lá a democracia no crime é ampla, geral e irrestrita, se bem que a solução dos assaltos não funcione bem assim. Enquanto os assaltantes do Governador foram presos, a imensa maioria da população aguarda, não a solução, mas uma simples informação sobre o andamento das investigações dos crimes de que foi vítima.

A explicação para o aumento dos furtos e roubos de veículos passa pela proliferação dos desmanches no Estado. Mas uma análise criteriosa dos fatos mostrará que os desmanches não são a causa e sim, a consequência. Eles proliferam porque o Estado foi desmantelado e não consegue mais, já faz tempo, cumprir minimamente com suas funções, seja na área que for.

Educação, saúde, segurança pública, assistência social ou o simples pagamento dos salários dos funcionários são uma cruz mais pesada que os pecados do mundo ou mais cruéis que os círculos do inferno. O Rio de Janeiro não consegue dar conta de nenhum deles.

Para quem acha que o Rio de Janeiro é a exceção à regra, os números mostram outra coisa. O que se vê em boa parte dos estados brasileiros não é muito diferente da realidade fluminense. As autoridades não conseguem mais entregar o que se espera delas.

Essa realidade se reflete no número crescente de homicídios, latrocínios, estupros, roubos, furtos, assaltos a bancos, massacres, fugas de presídios, tráfego de drogas e o mais que se pesquisar em relação ao aumento da criminalidade.

Some-se isso a crise, que, mesmo dando sinais de melhora, ainda pode adiar a retomada do desenvolvimento econômico, que mantém 14 milhões de pessoas desempregadas, que deixa vários setores empresariais patinando, e o resultado no curto prazo pode ficar complicado.

Se o futuro tem tudo para ser bom, agora é hora de se ter cautela.